Chegada Ironman Brasil 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

FORÇA VEGANA, NA VITÓRIA E NA DERROTA - relato da IV Ultramaratona 24 horas Corpore por Daniel Meyer

O sonho de quebrar a barreira dos 200km em ultramaratonas de 24 horas continua. Quando e, se vou conseguir realizar este desejo é algo que não posso afirmar, posso apenas lhes dizer que continuarei tentando. Não tive um bom resultado nesta minha 4ª ultramaratona de 24 horas, percorri uma quilometragem baixíssima comparado ao que eu almejava percorrer, foi a menor distância das 4 que participei, no entanto, o sofrimento foi bem parecido.
Acredito que a maioria dos atletas não gostem muito de divulgar aquilo que pretendem realizar nas provas, talvez por receio de se decepcionarem caso o objetivo não seja alcançado, podendo sofrer também uma certa cobrança por parte de algumas pessoas. Eu não tenho receio nenhum de divulgar a todos os meus objetivos, mesmo porque, ainda que eu não os exteriorize, eles já estão sempre bem traçados em minha mente e, há bastante tempo aprendi a lidar muito bem com minhas derrotas e vitórias e também sei muito bem que,

“A maior de todas as derrotas é não tentar.”

Portanto, não serão algumas derrotas que me derrubarão, muito pelo contrário, a cada derrota me fortaleço ainda mais e minha paixão pelas corridas de longa distância só aumentam!

Divulguei a todos que minha meta era ultrapassar os 200km, pensando em conseguir percorrer até 215km, mas tem algo que não revelei a ninguém, exceto meus familiares. Até sábado retrasado eu vinha treinando e competindo muito bem, me sentia ótimo, forte como nunca, porém, no sábado dia 10 de setembro, no que era para ser a véspera da Meia Maratona de Blumenau, cancelada por conta da enchente que mais uma vez assolou a cidade, o sol resolveu dar o ar da graça, após um mês de muita chuva e tempo nublado. Como a Meia havia sido cancelada resolvi correr 21,1km sozinho como se fosse competição e sábado (10/09) seria dia de descanso total e, como o sol resolveu aparecer depois de tanto tempo, fui descansar aonde? À beira mar, debaixo de quem? Do meu amigo sol claro. O problema foi que estava tão bom que acabei ficando muitas horas exposto ao BENDITO!

Resumindo, acordei no domingo (11/09) meio estranho, mas fui correr mesmo assim, resultado? Não consegui correr nem 3km no ritmo pretendido, que vinha treinando e sabia ser totalmente viável para os 21,1km. Não sei dizer ao certo o que aconteceu comigo, mas parece óbvio que teve algo a ver com o excesso de exposição solar. Fiz alguns treinos leves durante a semana que antecedeu a Ultra de 24 horas e pude perceber que nada havia mudado, eu continuava com uma queda absurda de rendimento. A competição se aproximava e eu não podia fazer mais nada, a não ser descansar, me alimentar bem e torcer para que meu rendimento voltasse ao normal, era contando com essa melhora que eu pretendia correr mais de 200km, do contrário, a coisa iria ficar bem complicada. E ficou!

Logo no início da prova eu sabia que não estava bem, com apenas 4 horas de prova eu já estava cansado, mesmo correndo em um ritmo muito baixo, ritmo que, estando normal eu conseguiria certamente manter por muito tempo. Das 4h até as 6h de prova eu pensei seriamente em desistir, mas observando o esforço de todos ali presentes, eu percebia que não podia fazer isso, além do mais, o verdadeiro propósito de se correr é a auto-superação.

“Melhores marcas, tempos ou colocações são nossas motivações, mas são apenas conseqüências. O verdadeiro propósito de uma corrida é testar os limites de nossos corações.”

Ahhh, quanta coisa passou em minha mente durante essa prova, seria impossível relatar tudo. Lembrei do meu começo como atleta, de quando decidi me tornar vegano, pensei em todas as vitórias e derrotas e, sobretudo, pensei em todos que de uma forma ou de outra estavam ali comigo... Realmente eu não poderia simplesmente abandonar a prova, eu me envolvo demais com estas corridas,

“Ultramaratonas são mais do que meras competições, elas transcendem o esporte, correr ultramaratonas é a forma que encontrei de escrever minha própria história.”

Já tinha ficado claro pra mim que desistir não fazia parte dos meus planos, apesar de meu corpo me convidar a parar a cada passada. Parei pela primeira vez com 7h de prova, fiquei 30min fora para fazer uma massagem e tentar me recuperar, voltei para pista e corri/caminhei até completar 12 horas, descansei mais um pouco e retornei novamente para a pista. As dores estavam intensas, tudo doía, na verdade a dor é algo intrínseco à provas como esta, mais doer tanto estando tão devagar é que era triste. Resisti o máximo que pude, em vários momentos foi difícil conter as lágrimas que brotavam de meus olhos como o suor de meus poros...

Com 14 horas e 30min parei e pensei que não conseguiria mais voltar. Lembram daquela topada que eu dei na K42, em que pensei ter quebrado o dedo quando corri com o Five Fingers? Pois então, comecei a sentir muita dor no pé por conta desta lesão que, em provas menores não chegava a me incomodar, mas que após 14h de impacto contínuo estava me matando. Pensei ser o fim. Olhei pra minha mãe que está sempre comigo e pedi desculpa por não conseguir completar... Tirei o tênis, baixei a cabeça e desabei dentro da barraca. Fiquei ali por 2h em estado de choque mentalizando como faria para voltar à prova. Mesmo sem encontrar resposta voltei para a pista, rastejando, mas voltei!

A noite estava linda, contemplando o céu e a lua, por alguns instantes me esqueci de toda dor e percebi o cara de sorte que eu era, por fazer parte de tudo aquilo. Era maravilhoso ver a força de vontade dos atletas que insistiam em se manter de pé após tantas horas. O que movia essas pessoas eu me perguntava. O que nos movia? Sinceramente não sei dizer, só sei que naquele momento, apesar de tudo, aquele era exatamente o lugar que eu desejava estar.

E foram assim as últimas 6h de prova, rastejando, caminhando e muito pouco correndo. E quando o relógio marcou 24 horas, ouvi o tiro de canhão sinalizando o término da prova e parei, inacreditavelmente já com saudade de tudo que havia vivido e fazendo planos para a próxima.

“Se quiser conhecer alguém verdadeiramente, converse com esta pessoa durante uma ultramaratona de 24 horas. Neste momento não existem máscaras nem disfarces, o ser humano se apresenta na sua essência, totalmente despido de todas as vaidades.”

FORÇA VEGANA PARA SEMPRE, ATÉ O FIM

8 comentários:

  1. È isto ai guerreiro. A máquina humana tem seus momentos de fragilidade. Mesmo assim vejo que lutasse até o fim da prova e, isto ja é uma grande vitória. A coragem de todos que desta prova participaram independente do resultado de cada um já é um exemplo.
    Descansa um pouco e não treina estando indisposto. Num proximo evento com certeza mais uma vez vai brilhar a FORÇA VEGANA. Um abraço ?Eduardo

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  2. Bom meu amigo Daniel primeiramente boa noite, lendo o seu relato pude identificar algumas coisas que relatarei aqui...Segundo lembre-se que o nosso corpo é uma máquina e o nosso organismo nunca reage bem quando nós queremos...Através dos erros podemos melhorar muito para próxima competição o que vc fez em correr uma semana antes forte acho que vc se precipitou e ainda mas no dia anterior ficar exposto a esta soleira total...Quanto ao que vc disse em que tem muitos corredores que não gostam de ficar falando de estratégia de quantos Kms quer correr eu sou um deles, pois uma certa vez uma psicóloga me disse que não era para ficar projetando nada antes pq conhece alguns atletas que ficaram ansiosos e na competição não conseguiram almejar a meta ficaram frustrados com isso...Cara pelo que tenho visto vc fazendo nas competiçoes vc é fera...Mesmo vc nao alcançando o seu objetivo lhe parabenizo por vc não ter desistido e voltado para a pista para correr...Eu corri concentrado também para alcançar a marca dos 200Kms, mas o asfalto, o vento contra e o frio atrapalhou, mas gostei de ter quebrado o meu recorde que antes era de 182km que agora passou para 186KM eu estou que nem vc não vou descansar enquanto não chegar a marca dos 200Kms...Parabéns a Luana e a sua mãe Ângela que lhe dá o maior apoio ela é uma grande guerreira.

    Se cuida aeee e nada de fazer bobagens...Boa semana e boa recuperação.

    Um abraço,

    Jorge Cerqueira
    www.jmaratona.com

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  3. Melhoras e bola pra frente !!!!
    Abs

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  4. Irmão te admiro muito, nem sempre é o nosso dia, tem dias que saimos de casa voando e tem dias que sem explicação parece que nossos pés estão pregados no chão, isso faz parte do nosso dia a dia.
    Isso que aconteceu com vc pode ter certeza que já aconteceu com todos nós que fazemos Ultras, o importante é que somos uma familia e estamos sempre juntos, a força mental é muito maior que os treinos diarios do corpo, não desanime nunca porque é um atleta especial que alem de grandes resultados é uma pessoa fantastica que gosto muito e quero te ver ao meu lado no desafio do ano que vem pelo INCA, levanta a cabeça e vai a luta, estou por aqui sempre a sua disposição no que precisar, um grande abraço e um beijo no coração.

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  5. Nossa!
    Correr 24h é algo que eu nem imagino ser possível.
    Eu não tenho ideia do que seja isso.

    De qualquer maneira parabéns de ter tentado e ido até o final.
    Incrível!
    Parabéns!

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  6. Virei fã! Esporte com saúde, respeito aos animais e acredito que as convicções de uma pessoa são a coisa mais importante que ela pode defender em sua vida.

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  7. derrota é uma palavra que não cabe no seu dicionário, rapaz! Coloca isso na sua cabeça!
    Que todos os problemas pelo caminho sirvam sempre como motivação pra alcançar novos desafios, pois é pra isso que eles estão aí!
    Força Guerreiro!
    Go VEGAN!

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  8. Parabens Daniel! Muito bom seu relato e melhor ainda sua força, continue assim meu amigo Vegano!
    Grande abraço pra vocês!

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