Sábado 06 de agosto de 2011, dia de K42 Bombinhas Adventure Marathon, dia de fazer o que mais gosto, competir! E melhor ainda, em família! Todos os corredores da FAMÍLIA MEYER estavam inscritos na categoria individual, meu pai, minha mãe, minha irmã, minha companheira e eu, dos cinco, três são veganos! É, aqui em casa os veganos já são maioria e é só uma questão de tempo para minha irmã querida se tornar também, falta pouco.
Dia de competição aqui em casa é uma zona, principalmente quando todos vão competir, mas é maravilhoso, ter a família reunida e tão unida assim, não tem preço!
Acordei às 4:30 da manhã me sentindo ótimo e segui à risca meu ritual pré prova; tomei 400ml de água, comi uma laranja, preparei minha Tijela de Campeão, desta vez contendo apenas banana amassada, aveia, trigo germinado, melado e duas fatias do pão integral que eu mesmo faço. Terminei de comer 3 horas antes da largada como de costume e fui descansar um pouco mais e aproveitar para fazer uma visualização mental do que me propus a fazer. As horas passavam e eu me sentia cada vez melhor, estava explodindo de energia!
Pouco antes de sairmos de casa em direção a largada, reuni tudo que eu iria usar durante a corrida, ou seja, quase nada! Pois decidi correr da forma que mais gosto, só de sunga e sem camisa. Na verdade, não consigo entender qual o motivo de se correr de camiseta, se for alguma com bolso para levar comida, para proteger do frio ou do atrito da mochila de hidratação tudo bem, entendo perfeitamente, mas salvo estas exceções, sinceramente não consigo entender porque a grande maioria dos organizadores obriga a utilização de camiseta. Ahhh! Já sei, deve ser para que façamos jus à condição de indivíduos civilizados, será? Sei lá, vai entender os seres humanos.
“Quanto a mim, não é de hoje que prefiro a liberdade dos selvagens às correntes e os grilhões dos que se dizem civilizados.”
Em fim, chegando no local de concentração da prova, após um breve aquecimento e muitos abraços nos velhos e novos amigos,
“Lá estava eu novamente, um corredor vegetariano querendo simplesmente mostrar aos meus irmãos onívoros que nossos outros irmãos, os animais não humanos, não precisam ser sacrificados para nos servir de alimento. Lá estava eu novamente, feito um cavalo selvagem, querendo provar que posso ser mais rápido que os domesticados.”
Minha prece, antes de colocar meu corpo à prova:
“Pelos motivos certos, pelos motivos certos, pelos motivos certos... Não caia no jogo de egos, não caia no jogo de egos. Pelos motivos certos...”
Foi dada a largada e logo no início percebi que estava em um dia especial, larguei forte, mas controlado, não queria de forma alguma colocar tudo a perder. Passei o km 6,5, logo ao pé da primeira grande subida, em 26min34seg na 10ª colocação. A partir deste ponto até o km 16 é um sobe e desce total em estradas de terra com pedras, trilhas e duas pequenas praias desertas. Me saí muito bem neste trecho apesar de ter dado uma violenta topada em um toco no chão e, só para lembrar, eu estava correndo de Five Fingers e por conta disso, doeu muito, a ponto de eu achar que tinha quebrado o dedo do pé. Dei apenas uma rápida olhada (sem parar de correr), para ver se o dedo ainda estava grudado no pé, risos! E continuei sem tomar conhecimento do ocorrido, pois sabia que no calor da prova, toda dor acaba sendo anestesiada. E foi o que aconteceu, cheguei ao km 16, já na praia de Zimbros, em 1h20min40seg na 9ª colocação e tinindo! Estava avistando o 8º colocado e me aproximando rapidamente dele, no entanto, continuei no meu ritmo, assumi a 8ª colocação pouco antes da metade da prova, naturalmente, sem sair da minha balada. Cheguei no km 21 em 1h43min40seg, o que me deixou um tanto quanto perplexo, porque este tempo a princípio, era para mim, algo impensável até pouco tempo, ainda mais, fazê-lo bem, sem nenhum vestígio de esforço excessivo!
Me embrenhei na trilha que leva a praia da Tainha, subi praticamente todos os morros correndo, desci até a praia da Conceição, cheguei a praia de Mariscal e já tinha o 7º colocado no meu campo visual, nesse momento o vento contra começou a apertar e meu corpo que até então parecia uma rocha, começou a ruir. Nada anormal, se tratando do km 30 de uma prova tão dura quanto a K42 de Bombinhas, mas a verdade é que era justamente nesse ponto que eu esperava algo mais. Cheguei no km 32, ao pé do morro de Mariscal que leva à praia de Quatro Ilhas bem cansado. Fazendo muita força, consegui correr metade do morro e caminhar a outra metade. Foram 33km em 2h52min53seg e a sola de meus “heróicos pés” já apresentavam muita dor, literalmente estavam queimando! E foi a partir dali e, somente dali, que meus Five Fingers não estavam mais me trazendo benefícios, pois, a dor extrema que eu estava sentindo na planta dos pés me impediam de pisar normalmente e minha velocidade que já estava comprometida pelo desgaste natural da prova diminuiu ainda mais. A descida de aproximadamente 800m do morro de Mariscal, foi um MARTÍRIO! Deste ponto em diante precisei me concentrar muito para não parar. Na verdade, eu já esperava sofrer bastante com os meus pés nos últimos 10km se optasse correr de Five Fingers, mas não esperava que fosse tanto! Continuei correndo bem devagar, mas sem parar, entrei na praia de Quatro Ilhas capengando, passei o km 36 em 3h05min18seg. Eu tinha agora, apenas mais 6km pela frente, que precisariam ser corridos em 48min se eu quisesse bater meu recorde pessoal, obtido no ano anterior. Tranquilo, não é? 6km em 48min é moleza! Moleza? Nada disso! Esses últimos 6km são muito difíceis, ainda mais nas condições em que eu me encontrava.
Dois corredores do revezamento em dupla me ultrapassaram, mas continuei sustentando a 8ª colocação geral individual, segui aos trancos e barrancos mas continuei indo em frente, caminhando nas subidas mais fortes e correndo como dava nas descidas e no pouco plano que restava. Atravessei a única parte de costão da prova exausto e subi a “parede” do km 38 (o único trecho da prova impossível de correr) muito ofegante, mas eu não podia parar, eu precisava ao menos bater o meu recorde pessoal, ao menos isso... Cheguei na praia do Retiro dos Padres, meus pés doíam muito mas a chegada já estava bem próxima... mais uma pequena subida... cheguei na praia da Sepultura onde realizo meus treinos de natação... vejo o 7º colocado retornando... está muito próximo de mim... reúno minhas últimas energias para tentar alcança-lo... tento... mais meus pés não suportam mais... não é possível ir mais rápido... 3h50min de prova... está acabando... apesar de tudo... vou conseguir... meu recorde... 3h50min... já estou na praia de Bombinhas novamente... avisto o pórtico de chegada...
“3h52min04seg. Cruzo o pórtico de chegada exausto, mas realizado, em 8º, mas vitorioso, sem ter feito uma prova perfeita, mas feliz, com muita dor, porém mais vivo do que nunca, satisfeito, mas querendo e sabendo que posso mais, muito mais!”
"Terminei como queria, correndo, pelos motivos certos. Como um cavalo selvagem.”
FORÇA VEGANA

Como sempre, emocionante!!
ResponderExcluirParabéns Dani! ès um cavalo!! abraço do teu primo Bruno
ResponderExcluirShow seus relatos e também essa prova. Estava curioso para saber como havia sido com o Five Fingers, pois comprei um par um mês atrás, e uso durante um treino na semana (com algumas dores). Parece que se fosse em prova menor (até uma meia maratona) seria melhor, e é justamente nessa distância que pretendo correr com eles em Outubro. Abraços e parabéns mais uma vez.
ResponderExcluirEmocionante, parabens !
ResponderExcluirXampa - www.96pes.net
Parabéns Daniel! Um dia desses vou correr essa prova com vcs! Grande abraço!
ResponderExcluirParabéns Daniel, guerreiro. Mas mais parabéns ainda pra sua mãe. Mande um abraço carinhoso meu pra ela.
ResponderExcluirNossa que emoção!! Parabéns pelo esforço pessoal, pelo record, pela família, principalmente tua mãe, sem dúvida uma guerreira. Que a Deusa Mãe proteja a todos, bj no coração.
ResponderExcluirNossa.....emocionante o relato, primo! Vocês todos são vencedores! Tenho muito orgulho de vocês!
ResponderExcluirBeijão a todos
Samantha
parabéns pela prova!!! pra vc e pra toda a sua família!!! e desculpa, mas sou mais fã da sua mãe do q sua hahaha ela é uma fofa!
ResponderExcluirCaracas mesmo com os problemas que passou durante o percurso chegou em 8 na geral, parabéns fera...Acho que se vc tivesse calçado um tênis para trilha com certeza vc não iria sentir dor e iria alcançar uma bela posição nesta corrida né...Para vc que mora nesta ilha é moleza né conhecer o local do percurso de uma prova já ajuda muito...Parabenizo também pelos seus familiares ter corrido essa duríssima prova...Outra coisa os organizadores nos obrigam a correr com a camisas é pq deve ser uma exigência dos patrocinadores, já que eu não tenho nenhum patrocinador eu mandei fazer a minha camisa personalizada com o nome de meu blog atrás para divulgar para a turma guerreira e sugiro também a vc que faça isso...Valeu Campeão e que agora venha as 24 horas dos Fuzileiros.
ResponderExcluirBoa semana,
Jorge Cerqueira
www.jmaratona.com
Daniel, você correria de novo uma maratona com o Five Fingers?
ResponderExcluirA impressão que ficou é que ele prejudicou demais o seu desempenho nessa prova...
Parabéns Daniel, tu foi o cara da corrida! Eu era um dos dois da dupla que te passou, tava tentando alcançar o Eduardo de curitiba mas não consegui. És um exemplo a ser seguido, abraços de um novo admirador.
ResponderExcluirNossa emocionante como sempre ... sou suspeita a falar , mas vc é o cara !!! Parabéns para Liana, Isa, Werner e a Super Angela (coraaaaagem) !!! Orgulho muito orgulho de vcs ...Dessa vez não deu para ir até Bombas pq o Jonas estava meio doente . Mas li todo depoimento ! Parabéns sempre !!!
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