LIBERDADE

LIBERDADE
A única coisa a que estou irremediavelmente preso, é a minha paixão pelas corridas. De toda a atmosfera fútil e comercial em que o esporte encontra-se imerso, eu estou livre. Daniel Meyer

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

INDOMÁVEL (Indomit)

Aquele que não pode ser domado,
que não pode ser vencido
que não pode ser montado,
tampouco, iludido.

Aquele que reconhece e repudia
o arreio, a sela, e o freio,
até mesmo no aparentemente,
mais carinhoso gesto, do cavaleiro.

Aquele de natureza selvagem e espírito livre,
para quem a liberdade é sagrada
e jamais poderá ser vendida,
jamais poderá ser comprada.

Por fim,
indomável, não é aquele que,
enquanto adestrado, corre para vencer,
ou que, sendo bem direto,
PAGA para correr!

Indomável,
é aquele que corre livre, de graça.
Simples e inspiradamente,
apenas, pelo prazer de correr!

Por anos a fio esta sociedade
tentou de todas as formas
me persuadir, me domar.
E por pouco não me tornei escória.

Mas agora que consegui escapar,
liberto que sou!
Minha fúria, de SER indomável,
terão de aguentar!

---------------------
 
Para quem irá correr a Indomit Vila do Farol 42km amanhã e as palavras acima não significaram nada, desejo sinceramente de coração, que façam uma excelente corrida e tenham um ótimo dia.
 
Porém, se para você que está inscrito(a) nesta prova, por algum motivo o poema acima tiver lhe  causado um certo desconforto, eu lhe convido a entregar seu número de peito e chip à organização do evento e juntar-se a mim amanhã para celebrarmos a LIBERDADE e mostrar que nossas paixões não estão à venda!
 
Pois, assim como fiz na Indomit Costa Esmeralda 100km em maio deste ano, amanhã às 8:00 estarei largando novamente, ao lado da estrutura da Indomit Vila do Farol 42km, sem inscrição e autossuficiente, como forma de mostrar explicitamente meu repudio à forma comercial e elitizada com que o esporte vem sendo tratado.
 
Não desejo fazer inimigos, muito pelo contrário. Entretanto, não posso me calar diante de algo que considero altamente nocivo para o esporte e para uma sociedade verdadeiramente evoluída. Não estarei impedindo ninguém de correr, apenas passando uma mensagem.

Como disse em meu relato sobre o SOLOMAN BOMBINHAS:
 
Enquanto o esporte for tratado como artigo de luxo,
eu serei sempre oposição!


Daniel Meyer

terça-feira, 12 de agosto de 2014

SOLOMAN BOMBINHAS 2014 – Em busca da inocência perdida...

Minha caminhada no esporte se confunde com a marcha de minha vida em busca da liberdade e da inocência que acabamos perdendo à medida que deixamos de ser crianças e nos tornamos adultos. O SOLOMAN BOMBINHAS foi mais um passo nesta direção.


A ideia de realizar um Soloman em Bombinhas partiu de minha profunda insatisfação com a forma puramente comercial e desprovida de valores com que o esporte que tanto amo vem sendo tratado, sobretudo, no quintal de minha casa. Meu descontentamento diante deste mercado fútil em que se tornou o Trail run, triathlon e o esporte como um todo, foi tão grande que me levou a tomar uma das decisões mais difíceis de minha vida, abandonar para sempre as competições esportivas comerciais, algo que eu vinha participando intensa e apaixonadamente por aproximadamente uma década.

Tomada a decisão, era hora de reaprender a correr, sim, sem as competições eu precisaria resgatar das profundezas de minha alma, o prazer de correr somente por correr, apenas para mim, longe dos holofotes, recompensas e de toda a badalação das provas comerciais.

No começo, foi um pouco difícil encontrar motivação para correr sem uma meta clara a ser alcançada, e por vezes senti o peso da solidão. Apesar de quase sempre ter treinado sozinho ao longo de todos estes anos, sempre competi muito e por isso, no máximo a cada duas ou três semanas eu estava fazendo o que mais gostava na companhia de muitos amigos. E isso, agora eu não teria mais.
Não demorou muito para que eu recuperasse aquela alegria de correr de muitos anos atrás, quando eu e meu grande amigo na época decidimos realizar por conta própria nossa primeira maratona, e de quando corri os 92,5km quilômetros de Blumenau a Bombinhas à noite tendo apenas minha querida Liana, a lua e as estrelas como testemunha.

Meu coração, enfim, estava em paz. Entretanto, meu espírito de natureza rebelde ainda permanecia inquieto, e por esse motivo decidi expor tudo o que eu pensava sobre o esporte, correndo os 100km da Indomit Costa Esmeralda sem inscrição e autossuficiente, como forma de dar visibilidade e promover uma discussão sobre um assunto que considero de extrema relevância, o comércio esportivo e suas consequências.
A discussão gerada após estes meus 100km corridos sem inscrição foi tão acalorada e construtiva (a meu ver), que eu e a Liana, após uma longa madrugada em claro, pensamos ser a hora de convocar todos os amigos possíveis e mostrar, de forma explícita, qual o tipo de esporte que desejamos fazer parte e ver crescer.

Foi assim que nasceu o SOLOMAN BOMBINHAS, inspirado na atitude do lendário Marcelo Vallim, que um belo dia, às vésperas do Ironman de Kona no Havaí, largou sozinho e nadou 3,8km, pedalou 180km e correu os 42km da mais famosa prova de triathlon do planeta sem pagar nada e sem prestar contas para ninguém! (Para ler a história completa clique aqui)
Essa era nossa proposta, resgatar a essência e os valores perdidos do esporte, oferecendo às pessoas a oportunidade de se desafiarem em uma corrida de montanha gratuita focada apenas naquilo que consideramos ser o essencial nesse esporte,

o desafio, a natureza e os amigos.

Recebemos algumas criticas por decidirmos realizar o Soloman no percurso idêntico ao do Indomit 42km e apenas duas semanas antes desta prova.

Ora, é óbvio que a escolha da data e a decisão de manter o mesmo percurso da prova comercial foi algo proposital. A ideia era exatamente esta, CONFRONTAR a ideologia capitalista que rege nossa sociedade e encontra-se fortemente presente também no esporte. O objetivo primordial do Soloman Bombinhas era mostrar o ABSURDO de se pagar entre R$ 400 e 500,00 para correr 42km entre amigos em meio à natureza em um percurso inteiramente público! Quando podemos ter o essencial presente nestes eventos esportivos, GRATUITAMENTE! Desde que nos unamos e façamos acontecer.
 
Enquanto o esporte for tratado como artigo de luxo, eu serei sempre oposição.

Para que um Soloman seja realizado, basta apenas um pequeno grupo de pessoas motivadas e engajadas, comprometidas com a essência do esporte, simples assim.

A proposta foi lançada e muitos amigos aderiram a ideia. Em pouco tempo já tínhamos uma lista com mais de 180 participantes somando as três distâncias (42km, 21km e 10km) e 35 amigos compondo o STAFF da prova. Infelizmente, grandes amigos, com quem gostaríamos muito de ter compartilhado essa experiência, não puderam estar conosco. Mesmo assim, no dia 02 de agosto, mais de 120 corredores estavam presentes em Bombinhas para a largada do Soloman.
No dia da prova acordei com uma disposição incomum, com uma vontade assombrosa de correr! Não sei se foi por conta de tratar-se de um Soloman e por tudo que ele representa para mim, só sei dizer que foi uma sensação maravilhosa.

Pouco antes da largada dei um bom mergulho no mar para dar aquela última recarregada nas energias e saí pronto para celebrar a vida fazendo aquilo que mais gosto!
 
Nos dirigimos para a largada dos 42km na Praia de 4 Ilhas, passei as últimas instruções para a galera e pontualmente às 8:00, largamos! Cada qual com seu objetivo, o meu era vencer o tempo de 3h43’17” do Daniel Meyer de 2012. Sabia não estar preparado o suficiente para tal, mas tentaria chegar o mais próximo possível deste tempo. Minha postura foi a mesma que sempre tive em todas as provas de que participei, me esforcei o máximo possível, fiz o melhor que pude naquele dia. Até os 21km eu estava me sentindo relativamente bem e passei com 1h55’, mas a partir dali percebi uma queda brusca de rendimento e tive que reduzir bastante o ritmo, fechando os 42km do Soloman em 4h15’45”, um tempo bem ruim se comparado ao meu recorde pessoal neste percurso, mas foi o melhor que consegui fazer naquele belíssimo dia. Me senti satisfeito e realizado por ter explorado uma vez mais os limites de meu corpo através da corrida, independente do tempo obtido.
 
Não preciso de nenhuma recompensa para correr, porque correr, já é minha maior recompensa.
 
 
Mas a verdade é que nesse dia em especial, qualquer que fosse o meu desempenho nestes 42km, significaria muito pouco, perto da alegria que tive em poder receber e cumprimentar cada FINISHER do Soloman Bombinhas. Presenciei muitas chegadas emocionantes, muita superação, algumas lágrimas, diversos sorrisos, várias demonstrações de amizade e companheirismo e uma deliciosa avalanche de abraços emocionados! Tivemos o prazer de presenciar vários corredores debutando, nas distâncias de 42 e 21km, e de ver, pela primeira vez, algumas pessoas de Bombinhas participando de uma corrida de montanha por ser um evento gratuito e com uma proposta esportiva diferenciada.

Além das pessoas de Bombinhas e das cidades vizinhas presentes no Soloman, também houve pessoas que vieram de mais longe para viver essa experiência, houve muita gente que veio do Paraná, Rio Grande do Sul e de São Paulo. Algo que me emocionou demais foi a presença dos amigos Lucas Ferro, Rafa Alves, Diego Brandão, Willian Chede, Pedro Lutti e Celso Kon. Que viajaram de carro a madrugada inteira de São Paulo até Bombinhas para chegar pouco menos de 2 horas antes da largada dos 42km. Todo esse empenho, apenas para correrem com os amigos em uma prova não oficial, sem medalhas, sem pódio, sem colocações, sem chip, sem troféus, sem camisetas promocionais, sem locutor, sem pórtico de largada e chegada... PQP! Não é de fazer chorar até os mais durões? Só isso já teria valido a pena! Mas este foi apenas um, dos incontáveis momentos emocionantes que nos foram proporcionados neste Soloman.


Para mim, todos os fatos citados acima são provas mais do que suficientes de que não precisamos gastar tanto dinheiro para praticarmos o esporte pelo qual somos apaixonados, já que o essencial nas corridas de montanha é, de fato, GRATUITO!

O Soloman Bombinhas proporcionou a todos que dele fizeram parte, felicidade e satisfação abundante a custo zero! E naquele sábado, fizemos todos o caminho de volta a inocência perdida e voltamos a ser crianças, correndo livremente e dando valor para as coisas simples da vida.
Iniciativas esportivas como esta podem ser realizadas por qualquer pessoa, em qualquer lugar e em qualquer formato: ultramaratona, corrida de montanha, triathlon, duathlon, aquathlon, etc. Basta apenas deixarmos de agir como clientes mimados e passarmos a agir como protagonistas de uma nova realidade esportiva.

Eu, já fiz minha escolha! E você?

Obrigado de coração a todos os amigos, corredores e staffs deste Soloman, foi uma belíssima brincadeira. E que venha o SOLOMAN BOMBINHAS 2015!

SOLOMAN BOMBINHAS
porque nossa missão no esporte, não é fazer dinheiro,
é fazer amigos!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Treino nos primeiros 21km do Soloman Bombinhas

No último sábado corri os primeiros 21km do Soloman Bombinhas para que todos possam ter alguma referência do que enfrentarão no dia 02/08. Foi a primeira vez que corri exatamente este trecho com largada na Praia de 4 Ilhas e término na Praia de Zimbros. Não estou no auge da minha forma física (longe disso! rsrsrs), mas também não estou tão mal e diria que tive um bom desempenho neste treino, estava me sentindo bem, apesar de um ligeiro cansaço do dia anterior.

Corri ao todo 29km neste dia mais alguns extras, sendo:

6km MTB (locomoção)
2km aquecimento
4x100m acelerações
21km Forte (Trecho inicial do Soloman)
6km leve
2,5km caminhando

Link com todas as parciais deste treino: PARCIAIS DOS 21KM DO SOLOMAN BOMBINHAS

Fechei os 21km em 1h58'47" bem cansado! Caminhei apenas na subida da trilha para o Retiro dos Padres, logo depois do trecho de costão, onde simplesmente não compensa correr! Os primeiros 21km do Soloman são bem mais pesados do que os 21km finais, por isso é muito importante que todos tenham muita cautela neste trecho!

É isso aí galera, está chegando o dia, estejam preparados! No próximo final de semana eu correrei o segundo trecho e dou um feedback pra vocês.

Abração!

SOLOMAN BOMBINHAS
porque eu corro onde e quando eu quiser

FORÇA VEGANA
por uma nova consciência esportiva

sexta-feira, 20 de junho de 2014

DOMÍNIO PÚBLICO

DOCUMENTÁRIO MAIS DO QUE RECOMENDADO!!!

Por favor, faça um favor a você mesmo, DESLIGA ESSA TELEVISÃO! Faça um esforço e procure enxergar o mundo como ele é, além das novelas, dos telejornais e das propagandas.

Deixe de ser um escravo da mídia, do estado e sobretudo, das grandes corporações. REBELE-SE!

Ahhh! Mas você gosta de futebol? Então reúna os amigos e jogue, VIVA verdadeiramente o futebol, que o resto é mentira, é sombra de um esporte, que hoje não passa de business, um mero negócio criado para alguns poucos ganharem avalanches de dinheiro através das paixões humanas. Um negócio criado para manter o povo entorpecido, desacordado para as reais mazelas deste mundo.

E antes que eu me esqueça, FODA-SE A COPA!!!!!!!!!!!!!!!


 - Assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=dKVjbopUTRs

- Assistir no Vimeo:

http://vimeo.com/98238853

Assista, Copie, Baixe, Compartilhe, Discuta, Comente, Debata, mas não permaneça indiferente...

sábado, 31 de maio de 2014

DO POUCO QUE GANHEI

Apenas mais um poema lançado ao vento...

DO POUCO QUE GANHEI

Quanto aos poemas e canções,
saibam que acreditei,
acreditei no que diziam
as canções e os poemas.

Mesmo quando...
cruelmente me disseram
que eram “só” poemas,
que eram “só” canções.

Eu acreditei, levei a sério,
Desci até as profundezas
da toca do coelho.

O que ganhei com isso?
Uma verdadeira avalanche
de desilusões,
diversos nocautes...

E alguns importantes laços
de amizade perdida
talvez, para sempre.

Amizades, desintegradas
ainda na elaboração do salto
E que, durante o salto
eu já não as reconhecia mais.

Se valeu à pena?
E como valeu!
Apesar de todas as tormentas,
todos os naufrágios
e os mortos acumulados
no caminho,

Valeu... valeu acreditar
no que diziam os poemas
e no que diziam as canções.

Não fiquei mais rico
fama e prestígio também não ganhei
Hoje não tenho diplomas
não sou PhD,
também não sou rei!

É, não posso negar,
o que ganhei não foi muito, admito,
mas era exatamente este POUCO
que eu desejava encontrar!

Este pouco, que só anda descalço
que não usa gravata a lhe enforcar,
que não tem limites;
e que anda assim, LEVIANAMENTE,
só por andar.

Daniel Meyer

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Por que eu corro?

Corro, porque correr é algo maravilhosamente simples, descomplicado, gratuito, libertador, transformador, democrático, de acesso a TODOS.

Porque correr é meditar, é sentir-se pleno, é sentir-se em paz, em sintonia profunda com tudo e com todos.
Não comecei a correr por conta da badalação, do status, dos pódios, premiações, medalhas, troféus e brindes oferecidos pelas competições comerciais. Não comecei a correr para ser um atleta campeão, mas por saber que a corrida seria capaz de me transformar em um homem melhor. Comecei a correr por simples paixão, mas aos poucos, me vi cada vez mais envolvido e alimentando um sistema pautado na competição e no consumismo, que escraviza a todos, física e psicologicamente. Com o tempo, fui percebendo que como tudo em nossa sociedade mercadológica consumista, minha paixão pelas corridas estava sendo, cada vez mais, transformada em um mero produto de mercado, e pior, o simplificado ato de correr, hoje, acabou ascendendo ao desprezível status de artigo de luxo.
E agora, aquele esporte simples e democrático que unia as pessoas, enquanto artigo de luxo, não promove outra coisa que não, separação, extravagância, desperdício, cegueira e exclusão social.
É por isso que após quase 10 anos vivendo intensamente minha paixão pelo esporte, não posso mais me permitir continuar contribuindo para a perpetuação dessa atmosfera fútil e comercial em que todo o esporte encontra-se imerso.
O esporte é um mecanismo de transformação social, tão poderoso quanto a arte! Um evento esportivo é, entre outras tantas coisas, também uma manifestação cultural! E não posso mais aceitar que o ingresso das pessoas nestas manifestações seja um privilégio destinado apenas a um grupo de “escolhidos”, que podem pagar para se divertirem.
Renunciemos a todas as futilidades! Reaprendamos a dar valor para as gratuitas maravilhas desta vida, que nos são ofertadas gentilmente todos os dias pela natureza. Aprendamos a dar cada vez menos poder ao dinheiro e construamos juntos, um mundo novo, para todos, sem miséria, sem ricos nem pobres e com imenso respeito à natureza. Construamos esse mundo utópico a que chamam todos aqueles que não ousaram tentar. Tentemos, não importam as consequências, pois na pior das hipóteses, teremos vivido uma vida verdadeiramente autêntica e de acordo com nossa consciência.
 “Dinheiro é só um pedaço de papel que todo mundo acredita que vale alguma coisa, se ninguém acreditar, não vale nada!”
Não é contra as pessoas envolvidas com a organização de competições esportivas que eu estou lutando, mas contra o sistema deplorável que elas alimentam. Estou lutando para que as pessoas entendam que não precisam pagar para correr! Que o essencial nas corridas é de graça! Que é possível ser feliz sem todas as extravagâncias dessas competições comerciais. E que o dinheiro gasto com a inscrição desses eventos pode ser utilizado em ações menos individualistas e mais coletivas.
Esta reflexão deve ser encarada sob uma perspectiva que inclua todas as esferas de nossa sociedade e não apenas o âmbito esportivo, pois tudo está interconectado. As mudanças, lutas e revoluções travadas, seja na arte, no esporte, cultura, educação, saúde, etc. Sempre modificarão a sociedade como um todo e não apenas algumas partes dela.
Correr é minha forma de protestar contra todas as injustiças e misérias que condeno neste mundo, é a forma que me cabe, de dizer NÃO a estas atrocidades e de dizer SIM à vida! Nesse sentido, o que eu tiver que renunciar, eu renunciarei.

E se hoje continuo correndo, é porque de outra forma, eu morreria. É porque a vida, não tem de ser comprada, tem de ser vivida!

Daniel Meyer

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Respondendo às críticas...

Minha resposta a Felipe Telles e Marcelo Musial sobre seus comentários a respeito de minha última postagem aqui no blog, “Adeus Competições Comerciais” e, principalmente a respeito de minha publicação no facebook, anunciando que correria a ultramaratona Indomit Costa Esmeralda sem inscrição como forma de protesto.

Faço questão de trazer à tona esta discussão por considerar de grande relevância.
Para um melhor entendimento de todo o contexto, sugiro visualizar a postagem original, bem como, todos os comentários sobre o respectivo tema, através deste link:
Publicação no facebook:
Daqui a pouco, mais precisamente à meia noite, será hora de mostrar que o espírito humano é realmente INDOMÁVEL e não se curva aos caprichos de um mundo onde o dinheiro sempre fala mais alto!
Mandarei minha mensagem correndo os 100km da Indomit Costa Esmeralda por conta própria, autossuficiente, sem estar inscrito.
"Uma parte do mundo é nossa morada e a outra parte é nosso quintal..." e ninguém pode me impedir de correr no quintal de casa!
FORÇA VEGANA
por uma nova consciência muito além do veganismo

Marcelo Musial:

Com todo o respeito, paga quem quer. Ninguém é obrigado a ir na prova. Você tem 364 dias por ano para correr lá. Porque justo na prova? Muitos jamais conheceriam esse paraíso sem a prova. Acho que tem espaço para todos, o percurso ta lá. Deixa quer quer ir e pagar, fazê-lo. Boa sorte
Felipe Telles:

Gustavo, apaguei meu comentario por considerar que fui um pouco impulsivo em falar que perdi meu respeito por ele. Nao faz parte de mim tal tom agressivo. Mas nao posso concordar com a atitude. Os valores das inscricoes sao caros SIM. Infelizmente é a realidade do nosso pais. O organizador nao tem acesso as ruas de graça, apesar da maioria achar que é desse jeito. Sao pagas taxas carissimas para que os eventos sejam realizados. Mesma coisa com staffs, comida, estrutura. O daniel foi auto-suficiente? Otimo, entao poderia muito bem ter realizado a "corrida"dele em outro dia como protesto. No dia ele virou só mais um corredor na multidao. Qual foi o protesto? Um post no facebook? Isso nao é protesto. Ja disse, quer protestar, faça uma prova de acesso a todos. O soloman tai e mostra como se faz (http://www.soloman.com.br/.../historico-do-soloman-2013.html)

Felipe Telles:

Nenhum organizador de corridas é rico ou ganha muito dinheiro com isso. A maioria ganha o suficiente para realizar o evento e as vezes banca do proprio bolso. Conheço vários, minha esposa trabalha diretamente com isso, não é fácil. A maioria faz passionalmente. Será que se todos correrem na pipoca os organizadores vao diminuir o preço? Muito provavel que nao. Essa foi a primeira ultra maratona trail do Brasil. E olha que somos um pais enorme, estamos extremamentes atrasados neste ponto! Se mais pessoas aderirem uma das duas coisas vai acontecer:
1- Os valores vao aumentar para sustentar os pipocas e o evento ser realizado para pessoas que querem correr uma prova com apoio, organização, etc...
2-Nao vamos ter mais opcoes de prova. E olha que já temos poucas.
Eu adoro comer comida japonesa, e nao é por isso que vou a um restaurante, pego a comida, levando minha mesa e cadeira (para ser auto-suficiente, apesar de aproveitar o principal do restaurante) e saio de lá sem pagar pq achei caro.

Quer protestar pelos preços altos. Ok, concordo, mas não desta forma. Não leva a nada, e só prejudica os terceiros.
Marcelo Musial:

Outra opção são as comunidades de corridas online, como a da Nike. Você corre aonde quer, quando quer, e ta lá competindo numa distância específica. O que mais existe são opções grátis, então por favor não prejudique quem escolhe pagar e usufruir de um evento. Valor ( preço) é algo pessoal. Eu, por exemplo, acho caríssimo tênis de corrida de 650 reais, meu protesto é não comprar. Se o preco de determinada corrida é alto, não vá. Abs
Daniel Meyer:

Felipe Telles, é bem provável que tenhamos realmente opiniões opostas sobre este assunto, entretanto, é possível também, que você não tenha compreendido a amplitude de minhas reflexões, decisões e por fim de minha proposta de ação. Não estou interessado em migalhas, minha luta não é por inscrições de provas mais baratas, mas pelo fim dessa sociedade destinada somente a uma parte da população... não desejo ajudar o pobre, quero, é que a pobreza seja extinta! Não é de esporte que estou falando, é de desigualdade social, de injustiça social! Quero que o esporte, cultura, educação, a natureza e tudo que é produzido por nossa sociedade sejam para TODOS.
Você está completamente enganado, quando afirma não existirem organizadores de eventos esportivos ricos lucrando muuuuuito em cima da paixão das pessoas, TEM SIM e não são poucos! É claro que também existe muita gente boa e bem intencionada envolvida com organização de eventos esportivos, tenho inclusive diversos amigos envolvidos nesse meio, pessoas pelas quais mantenho profundo respeito. Porém, querendo ou não, cientes ou não, estão todos no mesmo barco meu caro. Neste caso, TODOS estão contribuindo de uma forma ou de outra, para o bom funcionamento da máquina capitalista que divide, classifica, rotula e mede as pessoas pela quantidade de dinheiro no banco!
Para quem, são essas competições Felipe? A quem se destina todo o mercado esportivo? Ora, pergunta fácil essa, hein? A quem tem dinheiro para pagar, lógico! E eu te pergunto, e quem não tem? Essa te responderei segundo a ideologia capitalista, ok? - Quem não tem, FODA-SE!!! Que se EXPLODA!!!
Me desculpe os termos, mas é exatamente essa mensagem, que a ideologia do sistema em que nossa sociedade está assentada, repete aos excluídos todos os dias. E eu, me cansei de fazer parte da festa promovida pelo “Clube dos Escolhidos” (os que podem pagar), tampouco, desejo entrar para o “Clube dos Excluídos”. Quero, tão somente, lutar por um mundo sem classes, sem desigualdades, sem privilégios, onde cada homem e cada mulher valham pelo que de fato são , e não pelo que têm. E essa luta exige profunda entrega e renuncia, aliás, como tudo na vida.
Eu estive ontem na Indomit Costa Esmeralda, corri os 100km sem inscrição como havia divulgado e, como sempre, o que mais me emocionou, foi presenciar o poder de luta e perseverança do ser humano diante de algo a que se propôs realizar, como neste caso, os 100, 84, 65, 50, 21 e 12km da competição de ontem. Se ao menos uma ínfima parte dessa força de vontade fosse canalizada para a transformação de uma sociedade verdadeiramente justa, já estaríamos vivendo este sonho há muito tempo.
Este ano eu não precisaria gastar 1 real com competições, caso me mantivesse no “mercado”. Pois alguns organizadores me concederam inscrições gratuitas para todas as provas que compunham seus circuitos de corridas de montanha, sendo que, em alguns casos, até mesmo com todas as despesas pagas. 2014 seria sem dúvida alguma, o ano em que eu menos gastaria com o esporte, é muito provável que conseguisse até neutralizar os custos.
Em resumo, não estou combatendo o mercado esportivo e nosso sistema econômico-social de forma mais ampla, porque EU não posso pagar as competições (isto seria o suprassumo da hipocrisia), mas, porque nesta sociedade que permitimos ser construída, sempre haverá ALGUÉM, que não poderá pagar. E isto, jamais poderei aceitar.
Um abraço sincero de quem não tem nada pessoal contra você, apenas opiniões contrárias.

Daniel Meyer:
Não Marcelo Musial! Paga quem pode! Da mesma forma que, não morre de fome quem quer, mas quem não pode pagar pela comida! Não são poucos os corredores que gostariam muito de ter participado de uma ultramaratona de montanha nas trilhas e praias paradisíacas aqui de Bombinhas, mas que não puderam por falta de recursos financeiros. Repito, e não me cansarei de repetir: esporte bom, democrático, é esporte para TODOS, o contrário, é ditadura! Uma ditadura disfarçada, mas ainda assim, uma ditadura.