LIBERDADE

LIBERDADE
A única coisa a que estou irremediavelmente preso, é a minha paixão pelas corridas. De toda a atmosfera fútil e puramente comercial em que o esporte encontra-se imerso, eu estou livre. Daniel Meyer

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ULTRA TRAIL TRAVESSIA DOS COSTÕES 80KM

Uma jornada épica...


(da esquerda para a direita: Marcello, Luis Villar, Tarso, Juan, eu, Anderson, Maicon, Rafa, Márcio, Bento)

Meu primeiro nascimento (o físico) aconteceu em Blumenau, mas o segundo e mais importante – aquele em que se nasce de si mesmo – esse se de deu em Bombinhas, essa cidadezinha litorânea, minúscula, territorialmente insignificante, mas de grandiosa beleza e transbordando significados! Tudo de mais importante em minha vida aconteceu aqui, namorando o mar... Em Blumenau eu apenas vim ao mundo, passei a existir, mas foi sobre os costões de Bombinhas, entre mar e mata, que me tornei quem eu realmente sou. A existência precede a essência, diria Sartre; torna-te quem tu és, impetuosamente diria Nietzsche.

“Torna-te quem tu és!”

Parece uma grande bobagem, sem nexo. Mas um olhar mais atento perceberá que não raro, as pessoas apenas passam pela vida como meros coadjuvantes, vivendo à sombra alheia, escondendo-se em casulos cada vez mais espessos sem jamais sentir o calor da luz direta em seus rostos, sem jamais perceber a vida com os próprios olhos e senti-la, com as próprias mãos.

Aprendi muito mais em silêncio, sentado, caminhando e correndo sobre as rochas, sentindo o pulsar da Natureza, do que em sala de aula, sem dúvida. E foi assim que nasceu a ideia de realizar esta Travessia, da união entre minha paixão pelas corridas e de minha ânsia em compartilhar com os amigos ao menos um pouquinho de tudo que aprendi nos costões, esse lugar que ensina tanto!

Mas o que foi exatamente a Ultra Trail Travessia dos Costões? Uma prova, um treino, um passeio, uma brincadeira, uma aula? Talvez de tudo isso, a única coisa que essa Travessia não foi (ou pelo menos não era assim que deveria ter sido entendida), foi um treino, porque quando se treina, se treina para algo, para alcançar um objetivo no futuro, uma meta maior. E a Travessia era a meta em si! Ela, era o objetivo maior! Rever amigos de longa data, fazer novas amizades, experimentar algo completamente novo e desafiador, observar, refletir, compartilhar... tudo isso junto resume o que foi este evento, mas não o explica totalmente, para compreendê-lo por completo é preciso tê-lo vivido, é preciso tê-lo sentido, é preciso ter estado lá, correndo ou apoiando... É preciso ter visto o brilho no olho de cada um, presenciado cada sorriso, cada gargalhada... ter sentido a intensidade de cada abraço na largada e na chegada...

Conseguimos reunir 22 amigos e acomodar todos em 2 chalés na Praia da Tainha, para uma belíssima confraternização!
Alguns amigos vieram de longe, São Paulo, Campinas e outros (como o Marcello e a Luciana), que nem amigos ainda eram, vieram de Brasília! Sem conhecer ninguém aqui, apenas na confiança de que valeria a pena. Talvez a simples presença deles nessa brincadeira, seja uma das melhores representações do que foi a Ultra Trail Travessia Dos Costões.

A PROVA


Local: Praia da Tainha – Bombinhas SC
Data: 27.08.2016
Formato: Corrida em Grupo
Distância: 80km aprox.
D+: 3.000m aprox..

Foram 80km com aproximadamente 3.000m de D+ divididos em 10 trechos de diferentes níveis de dificuldade, para que qualquer pessoa pudesse participar de ao menos uma parte da prova. Mas nem a distância, nem a altimetria representam a singularidade deste percurso. A enorme quantidade de costões de difícil e lenta progressão foram o grande diferencial. Os quase 10km de costões estavam espalhados nos 4 primeiros trechos (33km), o que tornou o início da aventura um verdadeiro rastejo! rsrsrs

Largamos em 10 corredores, pontualmente às 7:00 do dia 27.08 na Praia da Tainha e seguimos em direção ao costão esquerdo. Confesso que eu estava um pouco apreensivo, pois apesar de saber que todos estavam ali por livre e espontânea vontade e de que haviam entendido muito bem os riscos envolvidos numa empreitada dessas, de certa forma eu me sentia responsável por todos ali. E como correríamos em grupo, e somente eu conhecia todo o percurso, cabia a mim também a difícil tarefa de reconhecer quem teria condições de continuar em cada trecho ou não. A velocidade do grupo seria sempre a do mais lento, porém, desde o principio havíamos deixado bem claro que todos deveriam ter o bom senso de saber a hora de parar para não comprometer uma progressão razoavelmente satisfatória do grupo. Correr em grupo é um grande desafio e também um enorme aprendizado.

Os 10 que largaram na Praia da Tainha:

Maicon Cellarius
Marcello Mendes Manente
Juan Pablo Salazar
Anderson Ramos Floriani
Tarso Gonçalves Soares
Luis Villar
Bento Oliveira
Rafa Alves
Márcio
Daniel Meyer

Trecho 1 – Costeira da Tainha (0,0km ao 8km)


Logo que entramos no costão percebi que o Rafa estava muito inseguro, além da falta de afinidade com esse tipo de terreno, infelizmente o tênis que ele havia escolhido não estava dando nenhuma aderência nas pedras, o que tornaria a permanência dele no percurso original muito perigosa. Neste momento tive que ser mais pai do que amigo e dizer que não daria pra ele continuar nos trechos de costão. Perguntei se estava tudo bem, se ele entendia a situação, e claro, sendo o Rafa quem é, com toda humildade respondeu que entendia perfeitamente. Apenas a título de curiosidade, o Rafa é um ultramaratonista casca grossa, corredor experiente, mas costão meus amigos... costão é outra viagem.


Os primeiros 300m de costão já eram um anúncio do que viria a seguir, trechos de escalada, o Maicon com seus 1,88m quase entalando na passagem de uma pequena fenda... e muita curtição! Pegamos uma trilha curta em direção a Prainha do Buraco Quadrado, contornamos mais uns 200m de costão e retornamos à estrada por uma trilha bem íngreme. Subimos o morro da Tainha em direção à Praia da Conceição no maior alto astral. Logo no início da descida em paralelepípedo pegamos uma trilha à direita novamente em direção ao costão e nos despedimos do Rafa (valeu Rafa!) que seguiu reto em direção à praia.


A galera estava enlouquecida com o percurso e eu extremamente feliz de estar dividindo aquele momento com todos eles. Aos poucos o pessoal foi se familiarizando cada vez mais com o terreno, mas mesmo assim a progressão era absurdamente lenta, para se ter uma ideia, os 8km do primeiro trecho foram concluídos em 2h20min se não me engano!


Trecho 2 – Costão de Mariscal (8km ao 15km)


Nos abastecemos rapidamente na Praia da Conceição e partimos para o trecho 2: praia de Mariscal, mais o costão para a praia de 4 Ilhas. Nesse costão nos deparamos com o primeiro local altamente perigoso, por conta do grau de exposição a que somos submetidos. Não era um lugar difícil de passar, apenas perigoso, exigia atenção e não valia errar! Todos passamos sem maiores complicações e o Tarso nem molhou o tênis! rsrsrs


Chegamos em Quatro Ilhas, km 15 e fim do trecho 2, onde o Márcio, que caiu meio que de paraquedas nessa indiada, já havia programado parar (valeu Márcio!), e o Bento que já mostrava algum sinal de cansaço e por recomendação minha, também decidiu ficar. Aliás, que criatura pacífica esse Bento, uma paz contagiante (valeu Bento!). Nos abastecemos mais uma vez graças ao super apoio da minha mãe e da Lili e partimos para mais um trecho de costão com partes um tanto quanto tensas!

Trecho 3 – Costão da Ponta Grande/Costão do Retiro dos Padres/Costão da Sepultura/Costão de Bombinhas (15km ao 24km)


Chegamos enfim, no local em que eu havia ficado em dúvida se iria incluir no percurso ou não. Uma rampa bem íngreme e molhada em vários pontos onde a galerinha arregalou os olhos! Eu acabei ficando um pouco mais pra trás para orientar a passagem do Marcello nessa rampa e quando olhei pra frente o Maicon estava mais grudado na pedra do que lagartixa, sem conseguir sair do lugar e escorregando! O pessoal ficou mais preocupado, mas na verdade, achei foi engraçado! rsrsrs. Porque ali no máximo ele iria esfolar um pouco as pernas e as mãos mas não havia risco de algo mais grave. Logo à frente dessa rampa acredito que tenha sido o local realmente mais complicadinho. Como eu estava mais atrás com o Marcello, não vi que o Tarso, Maicon, Luis Villar, Anderson e o Juan tentaram uma passagem mais por cima, pela vegetação, quando na verdade a passagem correta era bem por baixo com o mar batendo de leve em nossas pernas. Dos que estavam tentando passar por cima só o Juan voltou e decidiu confiar em mim e passar por baixo. Orientei primeiramente o Juan e depois o Marcello que passou com um pouco mais de dificuldade, mas ileso. Os outros conseguiram a duras penas passar por cima, mesmo num contato íntimo com os gravatas (planta nativa cheia de espinhos!) rsrsrs.



Depois do sufoco, muito risada! Continuávamos bem unidos e dispostos, apenas o Juan, sem dúvida alguma o melhor corredor entre nós, começava a apresentar sérias dificuldades em progredir nos costões, as perninhas já não estavam mais respondendo aos sucessivos saltos. Mas no geral até que estávamos bem, percorremos o costão da Ponta Grande pelo lado de 4 Ilhas e voltamos pela trilha de cima para só então descer para a praia do Retiro dos Padres e pegar novamente mais costão. Chegamos na praia da Sepultura, onde minha mãe e a Lili estavam nos esperando num ponto de apoio improvisado que não estava nos planos, mas que foi muito bem vindo! O solzão já estava alto e pudemos nos hidratar bem. Seguimos adiante, passamos mais alguns belíssimos trechos da costeira da sepultura, algumas passagens perigosas e uma verdadeira abundância de paisagens cinematográficas. Usando uma expressão que o Tarso utiliza muito, VIDA LINDA!
Saímos da Sepultura, passamos pela Lagoinha e no final da praia de Bombinhas nos despedimos do Luis Villar (famoso Jacaré), grande amigo e que nos presenteou com sua presença, (valeu Jacaré!).

Seguimos em 6 até o restaurante Olimpio na praia de bombas, passando antes pelo costãozinho de Bombinhas e pela praia do Ribeiro. Esse apoio foi praticamente um almoço, o Tarso chegou com tanta voracidade que chegou a faltar mão e boca pra conseguir comer tudo que queria! rsrsrs. E dá-lhe macarrão, sanduiche de tomate, mariola, banana, melado, rapadura, bala de goma, castanha, amendoim salgado, refri, água, sal, bolacha... meu deus! Acho que naquele momento a gente chegou a dar uma engordada... o Tarso com certeza! hahaha.

Ali o Juan acabou optando por dar uma parada pra descansar e retornar somente no trecho seguinte para não comprometer o grupo, já que ainda teríamos pela frente mais um longo trecho do costão de Bombas e do Estaleiro.

Trecho 4 – Costão de Bombas e Costão do Estaleiro (24km ao 33km)

Saímos pra correr renovados, toda aquela comida deu uma levantada legal em todos nós. Percorremos toda a Praia de Bombas – a praia da minha infância – e iniciamos o longo trecho de costão até a prainha deserta da Galheta. Quanta história guardo nessas pedras, quanta vida... Foi bonito percorrê-lo junto de novos amigos e relembrar os velhos tempos e os velhos amigos.
Da Galheta pegamos a trilha em direção à estrada e nos direcionamos à ponta do costão, onde entramos no derradeiro trecho de pedras, a costeira do Estaleiro. Nesse momento o Marceleza começou a sentir um pouco o peso do percurso e o Tarso apesar de andar muito bem em costão estava sentindo muito a sola do pé. O Maicon e o Anderson estavam firmes e fortes.

Deixamos o costão e seguimos em direção à praia do Araça, agora já em Porto Belo, onde recebemos um reforço psicológico dos amigos Ronaldo Palleze, Rodolfo Alves, Erika Della Rosa e do Juan, que retornaria a correr conosco.


Trecho 5 – Araça e Morro da Antena (33km ao 39km)

O trecho 5 era um percurso fácil de aproximadamente uns 6km com uma subida forte em estrada de terra no último quilômetro. Foi muito bom estar correndo em mais pessoas novamente, mesmo que por pouco tempo. Na subida final desse trecho nos agrupamos  naturalmente em pares, o Anderson e o Juan bem mais a frente puxando o grupo, eu e o  Maicon logo atrás, em seguida o Ronaldo e o Tarso, e fechando o grupo os queridos Rodolfo e Erika. Quando estávamos quase chegando no topo do Morro da Antena, final do trecho 5, o Maicon me falou que iria parar, que dali ele iria direto para o chalé na Praia da Tainha (mais uns 9km mais ou menos). Lhe disse que já estava de bom tamanho, que o que eu queria lhe mostrar já tinha sido mostrado, e ele sabia disso. Ele estava bem, poderia ter continuado se quisesse, o Maicon é um touro, muito forte , muito resistente, não era falta de forças pra continuar, ele simplesmente quis encerrar por ali e estava muito feliz, isso dava pra sentir de longe. Na verdade acho que ele estava era com saudade da Débora! rsrsrs. O Tarso “Vida Linda” que tinha anunciado parar um trecho antes e acabou fazendo mais um só na insistência, resolveu acompanhar o Maicon no caminho de volta pra casa junto da Erika e do Rodolfo. (Valeu Maicon! Valeu Tarso! Valeu Rodolfo! Valeu Erika!).

Trecho 6 – Crista da Costeira de Zimbros e Porto Belo (39km ao 47km)

O Ronaldo seguiu conosco por mais 2 trechos. Corríamos agora em 5, o Anderson inteiraço, o Juan renovado e saltitante com suas huaraches nos pés, o Ronaldo novinho em folha, eu me sentindo firme e o Marceleza... bem, o Marceleza que despencou de Brasília só para fazer essa prova, estava dando o sangue para fazer valer a viagem, mas naquele momento me parecia estar em dificuldades, a velocidade dele havia caído severamente. Apesar de já ter percebido que ele é daqueles que só para se desmaiar, eu já estava me preparando para convencê-lo a parar no próximo ponto de apoio. Esse trecho é um sobe-desce, sobe-desce pela crista da cordilheira da Costeira de Zimbros até iniciarmos uma descida forte para o lado de Porto Belo. Infelizmente no finalzinho dessa descida o Juan engatou o pé num arame farpado que estava camuflado no chão e rasgou o dorso do pé. Eu que estava vindo logo atrás dele vi tudo acontecer em câmera lenta, quase dando tempo de segurá-lo e impedir que se machucasse. Mas não deu, o corte não foi profundo, mas largo o suficiente para não parar de sangrar e tirá-lo da brincadeira ali mesmo. Liguei para a Lili avisando do ocorrido e pedi para que ela e a Fabiana (esposa do Ronaldo) viessem buscar o Juan para leva-lo ao posto de saúde. O Anderson fez um curativo de improviso, apenas para evitar que entrasse sujeira e que o corte continuasse sangrando. Foi tudo feito rapidamente e logo o Juan já estava de pé e pode descer manquitolando até onde elas o pegariam com o carro. Na hora o Juan ficou muito chateado por não poder continuar, ele realmente queria muito terminar correndo conosco, mas infelizmente não deu, acontece. Procuramos tranquilizá-lo e passar boas vibrações, e assim nos despedimos (valeu Juan!).

Tínhamos pela frente agora um bom trecho plano e antes de chegarmos ao ponto de apoio no início do trecho 7, onde minha mãe estaria nos esperando, o Marceleza que já estava mais prá lá do que pra cá, deu uma boa revigorada e chegou até a puxar o grupo em alguns momentos. Nessa hora fiquei muito feliz, porque eu sabia o quanto ele queria concluir essa prova, e naquele momento tive certeza de que nada o impediria de realizar seu objetivo, agora ele iria conosco até o fim! Finalizamos o trecho 6 e encontramos a minha mãe, a Débora (esposa do Maicon) e a Luciana (esposa do Marcello).

Trecho 7 – Santa Luzia (47km ao 54km)

Estávamos indo agora para a entrada da costeira de Zimbros em Santa Luzia, até lá seriam apenas 7km e completamente plano. A Luciana decidiu nos acompanhar, o que foi muito bom, sobretudo para o Marcello que correu bem e conversando o trecho todo. O Anderson estava sobrando, correndo muito firme à frente tendo o Ronaldo como companhia, e nós três vínhamos mais atrás, mas num bom ritmo. Chegamos todos bem felizes em Santa Luzia, muitos amigos presentes nos recepcionando e apoiando antes de nos embrenharmos noite a fora pelas infindáveis trilhas da Costeira de Zimbros. Nos alimentamos e hidratamos bem, pegamos nossas lanternas e corta-ventos e seguimos viagem, agora em apenas três, o Ronaldo e a Luciana ficariam por ali (Valeu Ronaldo! Valeu Luciana!).

Trecho 8 – Costeira de Zimbros parte 1 (54km ao 64km)

Dos três, somente o Marcello não conhecia essa parte da costeira, na verdade ele não conhecia nada! Deve ter sido uma experiência fantástica pra ele, eu ficava imaginando o que eu estaria sentindo se estivesse percorrendo essas trilhas e praias desertas pela primeira vez... que maravilha poder proporcionar isso a alguém. Eu e o Anderson nos posicionamos mais à frente e deixamos que o Marcello viesse curtindo o ritmo dele um pouco mais atrás, de vez em quando dávamos uma paradinha, até a luz da lanterna dele aparecer novamente e continuarmos a jornada. Quando a noite cai, mesmo em grupo a corrida se torna mais solitária, mais introspectiva e acabamos entrando num estado de concentração mais elevado, o mundo diminui e todos os nossos sentidos se potencializam. Pensa-se pouco, fala-se menos ainda e a conexão com o meio em que nos locomovemos se intensifica. É belíssimo correr em trilhas à noite... apesar de estarmos no trecho de trilha mais longo e técnico, passou rápido. E logo estávamos no lado de Porto Belo novamente, para então subir e descer tudo outra vez para o lado de Zimbros, como numa deliciosa e divertida montanha-russa.
No apoio, desta vez estavam somente a minha mãe, a Lili e a Luciana. Não ficamos muito tempo ali parados porque a temperatura despencou e o frio bateu forte.

Trecho 9 – Costeira de Zimbros parte 2 (64km ao 72km)

Nos despedimos delas meio que batendo queixo e partimos para a penúltima parte da brincadeira, mais um longo trecho de introspecção. Esquentamos rápido, o Anderson continuava uma rocha, inabalável! O Marcello determinado, pura persistência. E eu entre os dois, procurando absorver o máximo da energia daquele dia e já sentindo uma pontinha de saudade. A gente luta, luta, luta pra acabar, e quando se aproxima do fim, não quer que acabe...

Chegamos na Praia de Zimbros (último ponto de apoio) correndo bem, mais unidos do que nunca! Dali em diante faltariam apenas mais uns 9km e teríamos a carinhosa companhia da Luciana e da Lili.

Trecho 10 – Morro do Macaco e Trilha da Tainha (72km ao 81km aprox.)

Agradecemos minha mãe pelo carinho e cuidado que teve com todos nós durante todo o dia, e partimos para o estágio final: Praia de Zimbros, Canto Grande, Morro do Macaco e Trilha da Tainha. O Anderson ainda não acreditava que ao invés de tocar direto pela Trilha da Tainha eu iria fazê-los subir o Morro do Macaco. Até brinquei com ele, dizendo que se ele quisesse poderia ir direto, mas no resultado final eu iria anotar um DNQ (did not qualifing) atrás do nome dele! rsrsrs
O Anderson chegou na entrada da trilha e ficou nos esperando, quando cheguei nele falei sério e lhe disse que ele poderia ir direto, sem problema. Mas ele insistiu em continuar conosco e concluir o percurso na íntegra.
O Morro do Macaco foi a coroação de um dia inteiro de esforço, companheirismo, amizade e amor à vida. Lá de cima pudemos ver tudo que percorremos durante o dia todo, foi de arrepiar...
Agora só faltava a Trilha da Tainha, o caminho de casa de todos os dias. A Luciana e a Lili estavam radiantes, iluminando ainda mais a nossa chegada, quando saímos da trilha e nos encaminhamos para a Praia da Tainha onde estavam todos nos aguardando, éramos só alegria!



Fomos recebidos calorosamente pelos amigos e concluímos o percurso de 80km em 16h27’, pouco antes da meia-noite. O Marcello que chegou, era apenas a METADE do Marcello que largou às 7:00 da manhã. O garoto chegou que era só o PÓ! Mas era um pó, feliz da vida!



Durante todo o dia nós só conseguíamos encontrar e proferir um único adjetivo para este dia,
ÉPICO!!!

Gratidão meus amigos, gratidão. Não há melhor forma de agradecer por estar vivo, do que viver, viver intensamente!

Valeu Mãe, Lili, Luciana, Fabiana, Erika, Jai, Débora Abreu, Débora Wanderck, Eleninha! Valeu Ronaldo, Rodolfo, Rafa, Venâncio, José Luiz, Marcello, Luis Villar, Tarso, Juan, Márcio, Anderson, Maicon e Bento!

Foi uma boa brincadeira. Até a próxima!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

TRAIL DOS AMBRÓSIOS 40K - O penúltimo desafio do ano


No último sábado (21) participei do TRAIL DOS AMBRÓSIOS, última etapa do Circuito de Corridas de Montanha da TRC Brasil, uma corrida de 40km com 1.760m de desnível positivo realizada nos Campos do Quiriri em Tijucas do Sul PR.

O cenário é belíssimo e 40% da prova é do jeito que eu gosto, singletracks técnicos repletos de sobe e desce. Fiz uma prova inteligente, progressiva como de costume, saindo da 9ª colocação e terminando em 2º com 3h56’26”, pouco mais de 10min atrás do multi-campeão das provas da TRC, Cleverson del Secchi.


O andamento da prova foi imensamente prejudicado pela ação de indivíduos que literalmente sabotaram o evento, retirando fitas e trocando placas de sinalização de lugar. Porque motivo é que não dá para entender.


O primeiro ponto sem marcação de percurso com o qual me deparei foi uma bifurcação lá pelo km 6, quando eu estava em 8º e encontrei  o 7º colocado parado sem saber pra onde ir. Para a esquerda havia uma descida fortíssima e para a direita uma longa subida. Assim que cheguei na bifurcação vi o Geison Inácio voltando do lado direito e imediatamente decidimos descer, mas sem muita convicção, mas se o Geison estava voltando da subida, tínhamos que tentar a descida. Descemos apenas uns 30m, e eu decidi parar, olhei no relógio estimei a distância que devíamos estar pelo tempo de corrida, lembrei do plano altimétrico da prova que eu havia estudado muito bem e percebi que naquele ponto nós deveríamos subir bastante e não descer. Para confirmar meu raciocínio, verifiquei o perfil altimétrico que é impresso no numeral de identificação de cada atleta (uma ideia excelente que até agora só vi nas provas da TRC) e constatei que realmente deveríamos subir e não descer, claro que eu não tinha certeza absoluta mas em momentos assim é preciso tomar decisões rápidas baseadas o máximo possível em pensamentos lógicos. Os que estavam comigo naquele momento concordaram que deveríamos subir e foi o que fizemos, mas nada de fita da prova, percorremos uns 300m e nada, até que após uns 500m aproximadamente avistamos a primeira fita novamente. Ufa! Que angústia que é uma situação dessas! Por essas e por outras é sempre bom frisar: 

Corrida de rua é uma coisa, corrida de montanha é outro esporte. 

Existem muito mais variáveis a serem levadas em conta em uma corrida de montanha, não basta correr bem.

Aproximadamente uns 15 atletas que chegaram naquela bifurcação sem marcação, não sabendo o que fazer, infelizmente decidiram retornar para a largada, uma pena. Claro que é uma situação difícil, mas não tenho dúvida de que se tivessem estudado bem o percurso e também já tivessem aprendido a estimar a distância pelo seu tempo de prova (na falta de um GPS), todos teriam parado, pensado e decidido subir pelo caminho da direita. Este esporte exige profundo estudo do percurso e um bom senso de orientação, detalhes em que poucos se aplicam. Em várias provas que participei, de diversos organizadores diferentes, já me deparei com problemas de marcação de percurso e outras situações adversas. Nestas horas precisamos estar preparados.

A partir do momento em que reencontramos a marcação do percurso iniciei minha escalada rumo à segunda colocação. A ascensão ao ponto mais alto da prova é linda demais! Fiz bastante força nessa subida, mas sem deixar de curtir a montanha. Na verdade, não tem nada como aproveitar a montanha fazendo muita força, é uma delícia, não existe nada igual! Desejo de todo coração correr em montanhas durante toda minha vida, tanto quanto possível!


No cume eu estava em 6º, quando a neblina baixou fortemente dificultando muito a visualização das fitas vermelhas do percurso. Passei então a correr prestando muita atenção para não me perder. Mesmo assim houve um momento um pouco tenso em que eu não enxerguei mais nenhuma marcação e tive de parar, pensar, analisar e me decidir pelo que parecia ser o trajeto correto mesmo sem avistar nenhuma marcação. Neste momento aparecendo do nada o atleta Hamilton Kravice se juntou a mim e mais dois outros se aproximaram, fiquei injuriado, pois eu pensava estar correndo bem e me aproximando dos primeiros colocados, quando na verdade parecia estar acontecendo o contrário! Fiquei sem entender direito o que estava acontecendo, até o Kravice me falar que ele havia se perdido, então entendi que eles não haviam me pego, eu é que os havia ultrapassado. Eu e o Kravice corremos juntos por um bom tempo, respectivamente na 3ª e 4ª colocação, até alcançarmos o 2º colocado. Quando o vi me deu uma injeção de ânimo! O passei com relativa facilidade e naquele momento achei que a 2ª colocação estava garantida. Ledo engano! O caboclo ficou furioso, rsrsrsrs!

Depois de eu ter passado pelo Luiz Inácio voando na descida, ele me deu o troco, me ultrapassou em uma subida com muita facilidade e abriu uma boa distância. Decidi ir para o tudo ou nada, tentaria o máximo possível não deixá-lo desaparecer do meu campo de visão. Eu estava no limite de minha velocidade não podia ir mais rápido, mesmo assim ele continuava ampliando sua vantagem sobre mim, até perceber que ele estava olhando pra trás várias vezes - sinal de que as coisas não estavam fáceis - e assim começo a diminuir a distância entre nós. Ali percebi que ele havia dado sua última cartada e não tinha sido o suficiente para manter a 2ª colocação. Quase não acreditei que tinha conseguido neutralizar o seu ataque! 

Encostei e comecei a abrir vantagem, fazendo muita força por mais uns 6km até cruzar o pórtico de chegada feliz da vida! Levando a FORÇA VEGANA ao pódio geral de uma corrida de montanha pela 5ª vez este ano sem a ajuda de nenhum suplemento esportivo e nenhum tipo de remédios analgésicos e anti-inflamatórios tão comuns entre os atletas, tudo que conquistei foi através de uma alimentação vegana simples, variada e barata, acessível a todo mundo. Se dá, então porque não?


Para conferir as belas imagens da prova: Clique aqui

Resultados oficiais: Clique aqui

Minha missão como atleta é difundir o veganismo através do esporte e trabalhar em prol da Libertação animal. Não posso conceber que alguém em sã consciência considere justo tratar animais como coisa, mercadoria, produto ou propriedade.  Eu sei que no fundo, a maioria das pessoas não acha correto escravizar e confinar animais em gaiolas, celas, cercas e currais, aprisionando-os e ceifando assim sua liberdade por toda uma vida. Por isso eu suplico,

Dê uma chance ao veganismo! 

Procure saber sobre os bastidores da indústria de produtos de origem animal, procure saber sobre o impacto ambiental dessa mesma indústria e por último, não feche os olhos, não finja que nada esta acontecendo. Vista-se de informação!

Se quiser dar os primeiros passos ou apenas debater e conversar sobre o assunto eu terei o maior prazer em ajudar. 
Veganismo não é radicalismo, não é fanatismo. É respeito, é compaixão, é a consciência do UM que abriga o EU e o OUTRO. Daniel Meyer

FORÇA VEGANA
Por uma nova consciência esportiva

terça-feira, 20 de outubro de 2015

DESAFIO PRAIAS E TRILHAS 84KM 2015 - De alma lavada!


É com muito, mas muito orgulho mesmo, que compartilho com vocês meu último resultado competitivo, mais uma conquista da FORÇA VEGANA:

---- 2º COLOCADO GERAL NO DESAFIO PRAIAS E TRILHAS 84KM – A Ultramaratona mais sensacional do planeta! ----

A prova é realizada em dois dias - uma maratona trail (42km) por dia - e passa pelos lugares mais espetaculares, paradisíacos e desafiadores de Floripa. Esta foi minha 9ª participação no “Praias e Trilhas”, e de quebra, meu melhor desempenho, apesar de já ter sido campeão em 2008. Só posso dizer que tive um final de semana iluminado, tendo conseguido extrair o suprassumo da minha capacidade física atual e estou extremamente feliz em estar, por mais de 10 anos, representando o VEGANISMO nas competições através da EQUIPE FORÇA VEGANA!

RESULTADO:

1º dia (42km): 4h08’32” – 4º colocado
2º dia (42km): 4h37’59” – 3º colocado
Total (84km): 8h46’31” – 2º colocado

Resultado oficial: Clique aqui

"Se ser vegano é possível e tão simples, então não faz sentido continuar confinando, escravizando, torturando e matando animais por pura futilidade humana." Daniel Meyer

EQUIPE FORÇA VEGANA
Por uma nova consciência esportiva

domingo, 19 de julho de 2015

FORÇA VEGANA NA MARATONA DE MONTANHA MAIS INSANA DO BRASIL!



“Difícil não é subir e descer montanhas,
difícil, é ter que deixá-las” Daniel Meyer

Neste último sábado (18) tive a imensa felicidade de representar novamente o MOVIMENTO VEGANO na  MARATONA DOS PERDIDOS, com seus deliciosos 2.925m de desnível positivo e 5.807 de desnível total! Considerada a Maratona de Montanha mais casca grossa do Brasil.
Fazia tempo que eu não encarava uma corrida de montanha “de verdade”. Minha última prova de montanha foi o Desafrio Urubici 52km, há três semanas, onde obtive a 6ª colocação geral com 4h15min de prova. O Desafrio é uma prova dura, porém, realizada totalmente em estradas de terra e asfalto, o que faz dela uma prova de montanha rápida e nada técnica, uma realidade bem diferente da Maratona dos Perdidos, que foi idealizada nos moldes das provas europeias de alto nível técnico e acentuado desnível total. Por conta disso decidi aceitar o convite do meu grande amigo e irmão Jhonatan Carvalho para passar uma semana em sua casa em Curitiba e treinar especificamente nas montanhas paranaenses.

Viajei pra Curitiba de bike (269km) no dia 03 de julho, e retornei para casa de ônibus dia 12, há exatos 6 dias da Maratona dos Perdidos. Foi praticamente uma semana inteira de montanha, treinamos no Anhangava, Caminho do Itupava, Pico do Paraná, Ciririca e Morro do Sete. Foram dias fantásticos, caramba! Como eu me sinto bem nas montanhas! Difícil não é subir e desce-las, difícil é ter que deixá-las.

Não sei explicar exatamente o que sinto quando estou na montanha, mas me sinto extremamente à vontade, sinto que ali estou em casa e todas as boas sensações e sentimentos são potencializados. Seja correndo, caminhando, acampando ou apenas comtemplando, hoje eu sei, que é na montanha que desejo estar a maior parte do meu tempo de vida.

Fui com minha família para a Base da prova na tarde de sexta (17), véspera da competição, onde ficamos acampados aguardando o grande dia. Pouco antes da largada, ainda escuro, eu e o Jhony tomamos um bom banho de rio pra dar “aquela” acordada antes de largarmos!

Largamos pontualmente às 7:00, neste ano o start list estava recheado de grandes nomes do Trail Running nacional, muito cara bom mesmo! Meu objetivo era apenas vencer por boa margem o Daniel Meyer da 1ª edição da prova em 2013, todo o resto seria lucro.
A galera saiu queimando, no começo fiquei bem para trás, próximo do km 02 eu estava na 24ª colocação, a partir daí comecei naturalmente a ir passando o pessoal, controlando as colocações é claro, mas concentrado em mim, na minha sensação de esforço. Nada como a experiência (como já errei fazendo a prova dos outros e esquecendo a minha).

No km 10 eu já era o 10º colocado, no km 12 estava em 9º, e aproximadamente no km 17 alcancei a 8ª colocação, posição que mantive até o PA (Ponto de Atendimento) na metade da prova. Cheguei no PA com 2h39’05”, ao chegar cruzei com o Leonardo Meira e outro atleta saindo. Parei muito rapidamente apenas para comer e tomar algo, e parti para a segunda metade da prova que, somada ao desgaste acumulado, diga-se de passagem, é muuuuuuuito, mas muuuuuito mais tenebrosa que a primeira. Portanto, ainda era preciso ter muita calma, pois pior ainda estava por vir.

Mal deixei o PA e logo passei mais um atleta, assumindo assim o 7º posto, pouco depois, digo, pouco acima, rsrsrs, passei por mais um corredor. Estava em 6º, e em seguida encostei no Meira. Dali em diante corremos juntos por um bom tempo. Na descida de uma das trilhas encontramos um atleta vindo no sentido contrário dizendo que não estava mais encontrando as fitas de marcação do percurso, não pensamos muito e continuamos seguindo o caminho que achamos ser o correto, contudo, de fato, não haviam mais marcações de percurso. O Meira estava na frente, já duvidando de que aquele era o caminho correto, e eu vinha atrás tentando convencê-lo de que estávamos certo, até nos depararmos com uma cerca de arame farpado sem nenhum vestígio de marcação, ali paramos, pensamos um pouco, cogitamos retornar, mas nossa intuição nos dizia que devíamos seguir em frente e foi o que fizemos, passamos a cerca e logo passamos a ver novamente as fitas do percurso.

Eu havia estudado muito bem o percurso e fazendo uma rápida análise percebi que aquela trilha havia sido roçada recentemente e de que pareciam haver pegadas frescas em pontos mais enlameados, entretanto, sem as marcações era difícil de ter certeza absoluta de que aquele era o caminho certo, mas felizmente tomamos a decisão correta.
Cheguei no pé do Araçatuba, por volta do km 27 na 4ª colocação, com um outro atleta e o Meira logo atrás. Iniciamos então, a sofrível ascensão até o cume do Araçatuba. Esta ascenção é composta por uma subida bem íngreme longa, seguida por uma curta parte plana com pequenas elevações e uma última subida bem íngreme e mais curta que a primeira. Apesar de eu estar subindo bem o Meira foi encostando gradativamente em mim até me ultrapassar na parte plana. Neste momento minhas pernas estavam extremamente travadas devido a longa subida ininterrupta que acabávamos de enfrentar. O Meira parecia estar um pouco melhor que eu, mesmo assim, fiz todo o esforço possível para acompanhá-lo, ingeri uma dose extra de sal, água e goiabada e segui fazendo um esforço tremendo para acompanha-lo, até que de repente o Meira para, dá uma olhada para o cume do Araçatuba e para a subida que teríamos que enfrentar logo a diante, e diz, “ Meu caneco! Vou dar uma segurada! ”. E começa a caminhar mais lentamente. Não sei se foi a dose extra de goiabada ou o fato de saber que um cara do gabarito dele também estava tão exausto quanto eu, mas naquele instante minhas pernas deram uma “soltada” e comecei a me sentir forte novamente. Na subida para o cume cheguei a abrir boa margem dele e até consegui avistar o 3º colocado.

Cheguei no cume, km 32, em 4º, com 4h36’25”, a somente 6min do 3º colocado, me sentindo cansado, lógico, no entanto, estava com a prova sob controle e conseguindo descer bem. Isso até o km 38 mais ou menos, quando comecei a sentir todo o peso da prova. Segurei a 4ª colocação até o km 40 aproximadamente, quando o Meira passou por mim em uma descida, voando baixo! Tentei ao máximo acompanha-lo, realmente tentei, mas assim que iniciamos uma curta subida senti que não daria para segui-lo, minhas pernas simplesmente não respondiam mais às subidas. Tudo que eu podia fazer era me concentrar e seguir a diante o mais rápido possível.

É engraçado, mas por mais cansado que eu esteja no final de uma corrida de montanha, pouco antes de cruzar a linha de chegada eu já começo a sentir saudade de todos os bons momentos vividos...

Saí da última trilha, faltando 500m para a chegada, feliz demais! E acelerei tanto quanto pude, para fechar a prova em 6h09’02” na 5ª colocação geral, comemorando muito!!! Explodindo em alegria! Alegria por estar novamente fazendo aquilo que mais amo, pelos motivos certos, com simplicidade e mostrando mais uma vez o poder do feijão com arroz, da banana com aveia, mostrando a todos, do meu jeito, o poder da FORÇA VEGANA!!!




Feliz, muito feliz por estar de volta!
Minha mais profunda gratidão a todos que torcem por mim. Pois acreditem, quando eu corro, carrego todos vocês comigo espremidinhos dentro do peito, e quando as coisas começam a ficar difíceis, são vocês que me impulsionam a diante. De coração, obrigado.

Próxima parada se tudo der certo, KTR CAMPOS DO JORDÃO 42km.

Como diria meu amigo Volpão:

“Ninguém conquista a montanha,
a montanha é que conquista a gente”

EQUIPE FORÇA VEGANA
Por uma nova consciência esportiva

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Retornando em paz...



 
Aqueles que me conhecem um pouco e acompanharam minha trajetória no esporte, sabem bem o quanto, ao longo dos anos, vim me decepcionando gradativamente com os rumos que o esporte vem tomando, principalmente no que diz respeito ao triathlon de longa distância (minha especialidade, diga-se de passagem). Não foi por menos que em 2014, por conta de infindáveis conflitos ideológicos com relação ao esporte competitivo, tomei a difícil e doída decisão, de abandonar de vez as competições.
Fiquei exatamente 1 ano e 2 meses sem competir oficialmente, nesse meio tempo teci críticas ferozes ao crescimento cada vez mais comercial e elitizado do Triathlon e das Corridas de Montanha, ajudei a organizar um SOLOMAN totalmente gratuito aqui em Bombinhas e corri sem inscrição as duas corridas de montanha de âmbito nacional realizadas aqui em minha cidade como forma de chamar a atenção para a elitização de um esporte cuja simplicidade é a essência. Tudo isso enquanto a minha paixão pelo triathlon ia se esvaindo. Enfim, do lado de fora, bati de frente com o sistema e assim como critiquei também fui criticado.
Mas então porque diabos, depois de tudo que eu disse, depois de tudo que fiz, agora decidi voltar a fazer parte do ambiente esportivo que tanto critiquei?
Meu retorno ao triathlon não foi devido a uma decisão pensada, mas a um sentimento, pura intuição! Eu não quis voltar, não premeditei nada, apenas naturalmente, voltei. Tentarei explicar melhor.
Não me arrependo de nada do que fiz enquanto estive afastado das competições, pois tudo foi buscando ser coerente com o que EU acreditava, entretanto, hoje entendo que acabei caindo em uma das tantas armadilhas dessa vida. Pois, de tanto pensar, contestar, questionar, ponderar... acabei por passar a ver somente as partes ruins, negativas e obscuras do esporte e de nossa sociedade de modo geral. E assim, fui deixando de enxergar e principalmente sentir, toda a beleza contida na vida.

Em tudo que estava vivendo eu criava tensão demais, tudo era confronto, tudo tinha de ser combatido, tudo estava errado...
Foi quando, afastado das competições por aproximadamente 10 meses olhei para mim e o que vi foi um rebelde triste, um idealista coerente com seus ideais, porém triste, sem nenhuma motivação para viver, sem aquele imprescindível brilho no olho. Eu precisava urgentemente parar de pensar no que era o certo a se fazer e voltar a INTUIR, SENTIR o que devia fazer, sem cair novamente na armadilha do “certo e errado”, do “bem e mal”.

Então, em meados de outubro do ano passado, me mandei! Fui acampar sem data pra voltar. Não foi uma fuga, apenas uma espécie de retiro espiritual onde o único objetivo era esvaziar a mente, não pensar em nada, abandonar qualquer idealismo, ideologia, filosofia, julgamento, conceitos e preconceitos sobre TUDO. Como disse um grande amigo, “simplesmente dar um reset” e começar do zero, deixando que novamente, assim, devagar, sem pressa, todos os meus desejos e vontades mais verdadeiros voltassem a brotar naturalmente das profundezas de meu espírito, livres de qualquer influência.

Fui para à beira do mar, montei acampamento em meio à Natureza numa belíssima enseada encravada entre rochas, a qual batizei carinhosamente de “Enseada da Utopia” e ali morei por quase 3 meses, para ser mais exato, 83 maravilhosos dias, andando a maior parte do tempo nu, cuidando do acampamento, da fogueira, pegando lenha, preparando a comida, tomando muito banho de mar, recolhendo montanhas de lixo do costão, fazendo algumas travessias de caiaque, nadando e correndo quando a vontade surgia e me aventurando vez ou outra pelos costões. Mas acima de tudo, vivi os dias na Enseada da Utopia a contemplar em silêncio as belezas das simples coisas da vida, o sol, a lua, o vento, a chuva, o mar, a água do riacho, a mata, as rochas, o céu, as estrelas... Quanto mais tempo eu ficava por lá mais e mais minha mente ia esvaziando-se e mais em paz comigo mesmo eu me sentia.
Até que um dia, deitado na pedra ainda morna, com a cabeça encostada no colo do meu bem, apreciando os derradeiros raios de sol, com a mente completamente limpa, os olhos entreabertos e os músculos totalmente relaxados, senti uma alegria  intensa aflorar do meu peito e transbordar por todo meu corpo. Ali, naquele momento, senti que eu estava verdadeiramente LIVRE! Livre para dali em diante ser feliz em qualquer situação, em qualquer lugar. Pela primeira vez na vida me vi completamente desapegado de qualquer coisa, inclusive
do esporte, nada mais era uma necessidade, tudo eram POSSIBILIDADES. Agora eu era livre para ser feliz com ou sem o esporte.

Eu estava tão bem integrado à vida absurdamente simples e abundante da Enseada da Utopia que eu havia decidido ficar ali por pelo menos 1 ano inteiro. Não sentia mais nenhuma vontade de voltar, tudo que eu tinha por lá me bastava não sentia mais falta de nada da vida vivida convencionalmente na cidade.
No entanto, alguns dias após ter decidido ficar por lá durante 1 ano, tive o primeiro confronto com o mundo dos homens, o que me forçou a ir embora. Levantei acampamento sem criar nenhuma tensão, numa boa, apenas agradecendo à vida pela bela experiência. Eu sabia que saindo dali eu era livre para ir a qualquer lugar do planeta e escolher fazer o que quisesse.

Fui para casa de minha irmã, onde pretendia ficar apenas alguns dias para me preparar para algumas mochiladas por aí.  Eis que acontece a grande reviravolta! Quando me dei conta eu estava acordando todos os dias às 5:00 da manhã nadando TODOS os dias, correndo 6 e pedalando 5 dias na semana. Foi quando eu disse a minha irmã, “Estou com uma vontade danada de competir”.
Tudo isso foi uma grande surpresa até mesmo para mim, pois há 6 meses se alguém me dissesse que algum dia eu voltaria a treinar triathlon competitivamente, eu não só não acreditaria, como diria, impossível!.

O mais engraçado é que justo quando me senti “libertado” do esporte, foi para ele que regressei. Algo como:
Agora você não precisa mais do triathlon para ser feliz, está livre para fazer qualquer coisa na vida, o que vai ser?

TRIATHLON!
Foi um desejo sincero, puro. Simplesmente senti vontade de voltar a treinar triathlon e foi o que fiz apaixonadamente durante os 4 primeiros meses deste ano. Treinei e competi como nunca antes, em grande forma e principalmente FELIZ. Foi como uma overdose de triathlon!

Agora a vontade passou, meus desejos já são outros novamente... O segundo semestre será principalmente das Corridas de Montanha, das Ultras, das expedições, desafios pessoais, viagens de bike e o que mais brotar deste incógnito coração.
Hoje continuo o mesmo vegano, rebelde idiota, idealista chato de sempre, só que agora, possuo a Felicidade, para sempre acampada em meu peito.
Estou em paz...
Desejo nadar, pedalar e correr tão rápido quanto possível, contudo, meu propósito não é à turma dos mais velozes ingressar. É o bando dos mais felizes e, sobretudo, apaixonados, que anseio representar.
 
FORÇA VEGANA
por uma nova consciência

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

INDOMÁVEL (Indomit)

Aquele que não pode ser domado,
que não pode ser vencido
que não pode ser montado,
tampouco, iludido.

Aquele que reconhece e repudia
o arreio, a sela, e o freio,
até mesmo no aparentemente,
mais carinhoso gesto, do cavaleiro.

Aquele de natureza selvagem e espírito livre,
para quem a liberdade é sagrada
e jamais poderá ser vendida,
jamais poderá ser comprada.

Por fim,
indomável, não é aquele que,
enquanto adestrado, corre para vencer,
ou que, sendo bem direto,
PAGA para correr!

Indomável,
é aquele que corre livre, de graça.
Simples e inspiradamente,
apenas, pelo prazer de correr!

Por anos a fio esta sociedade
tentou de todas as formas
me persuadir, me domar.
E por pouco não me tornei escória.

Mas agora que consegui escapar,
liberto que sou!
Minha fúria, de SER indomável,
terão de aguentar!

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Para quem irá correr a Indomit Vila do Farol 42km amanhã e as palavras acima não significaram nada, desejo sinceramente de coração, que façam uma excelente corrida e tenham um ótimo dia.
 
Porém, se para você que está inscrito(a) nesta prova, por algum motivo o poema acima tiver lhe  causado um certo desconforto, eu lhe convido a entregar seu número de peito e chip à organização do evento e juntar-se a mim amanhã para celebrarmos a LIBERDADE e mostrar que nossas paixões não estão à venda!
 
Pois, assim como fiz na Indomit Costa Esmeralda 100km em maio deste ano, amanhã às 8:00 estarei largando novamente, ao lado da estrutura da Indomit Vila do Farol 42km, sem inscrição e autossuficiente, como forma de mostrar explicitamente meu repudio à forma comercial e elitizada com que o esporte vem sendo tratado.
 
Não desejo fazer inimigos, muito pelo contrário. Entretanto, não posso me calar diante de algo que considero altamente nocivo para o esporte e para uma sociedade verdadeiramente evoluída. Não estarei impedindo ninguém de correr, apenas passando uma mensagem.

Como disse em meu relato sobre o SOLOMAN BOMBINHAS:
 
Enquanto o esporte for tratado como artigo de luxo,
eu serei sempre oposição!


Daniel Meyer

terça-feira, 12 de agosto de 2014

SOLOMAN BOMBINHAS 2014 – Em busca da inocência perdida...

Minha caminhada no esporte se confunde com a marcha de minha vida em busca da liberdade e da inocência que acabamos perdendo à medida que deixamos de ser crianças e nos tornamos adultos. O SOLOMAN BOMBINHAS foi mais um passo nesta direção.


A ideia de realizar um Soloman em Bombinhas partiu de minha profunda insatisfação com a forma puramente comercial e desprovida de valores com que o esporte que tanto amo vem sendo tratado, sobretudo, no quintal de minha casa. Meu descontentamento diante deste mercado fútil em que se tornou o Trail run, triathlon e o esporte como um todo, foi tão grande que me levou a tomar uma das decisões mais difíceis de minha vida, abandonar para sempre as competições esportivas comerciais, algo que eu vinha participando intensa e apaixonadamente por aproximadamente uma década.

Tomada a decisão, era hora de reaprender a correr, sim, sem as competições eu precisaria resgatar das profundezas de minha alma, o prazer de correr somente por correr, apenas para mim, longe dos holofotes, recompensas e de toda a badalação das provas comerciais.

No começo, foi um pouco difícil encontrar motivação para correr sem uma meta clara a ser alcançada, e por vezes senti o peso da solidão. Apesar de quase sempre ter treinado sozinho ao longo de todos estes anos, sempre competi muito e por isso, no máximo a cada duas ou três semanas eu estava fazendo o que mais gostava na companhia de muitos amigos. E isso, agora eu não teria mais.
Não demorou muito para que eu recuperasse aquela alegria de correr de muitos anos atrás, quando eu e meu grande amigo na época decidimos realizar por conta própria nossa primeira maratona, e de quando corri os 92,5km quilômetros de Blumenau a Bombinhas à noite tendo apenas minha querida Liana, a lua e as estrelas como testemunha.

Meu coração, enfim, estava em paz. Entretanto, meu espírito de natureza rebelde ainda permanecia inquieto, e por esse motivo decidi expor tudo o que eu pensava sobre o esporte, correndo os 100km da Indomit Costa Esmeralda sem inscrição e autossuficiente, como forma de dar visibilidade e promover uma discussão sobre um assunto que considero de extrema relevância, o comércio esportivo e suas consequências.
A discussão gerada após estes meus 100km corridos sem inscrição foi tão acalorada e construtiva (a meu ver), que eu e a Liana, após uma longa madrugada em claro, pensamos ser a hora de convocar todos os amigos possíveis e mostrar, de forma explícita, qual o tipo de esporte que desejamos fazer parte e ver crescer.

Foi assim que nasceu o SOLOMAN BOMBINHAS, inspirado na atitude do lendário Marcelo Vallim, que um belo dia, às vésperas do Ironman de Kona no Havaí, largou sozinho e nadou 3,8km, pedalou 180km e correu os 42km da mais famosa prova de triathlon do planeta sem pagar nada e sem prestar contas para ninguém! (Para ler a história completa clique aqui)
Essa era nossa proposta, resgatar a essência e os valores perdidos do esporte, oferecendo às pessoas a oportunidade de se desafiarem em uma corrida de montanha gratuita focada apenas naquilo que consideramos ser o essencial nesse esporte,

o desafio, a natureza e os amigos.

Recebemos algumas criticas por decidirmos realizar o Soloman no percurso idêntico ao do Indomit 42km e apenas duas semanas antes desta prova.

Ora, é óbvio que a escolha da data e a decisão de manter o mesmo percurso da prova comercial foi algo proposital. A ideia era exatamente esta, CONFRONTAR a ideologia capitalista que rege nossa sociedade e encontra-se fortemente presente também no esporte. O objetivo primordial do Soloman Bombinhas era mostrar o ABSURDO de se pagar entre R$ 400 e 500,00 para correr 42km entre amigos em meio à natureza em um percurso inteiramente público! Quando podemos ter o essencial presente nestes eventos esportivos, GRATUITAMENTE! Desde que nos unamos e façamos acontecer.
 
Enquanto o esporte for tratado como artigo de luxo, eu serei sempre oposição.

Para que um Soloman seja realizado, basta apenas um pequeno grupo de pessoas motivadas e engajadas, comprometidas com a essência do esporte, simples assim.

A proposta foi lançada e muitos amigos aderiram a ideia. Em pouco tempo já tínhamos uma lista com mais de 180 participantes somando as três distâncias (42km, 21km e 10km) e 35 amigos compondo o STAFF da prova. Infelizmente, grandes amigos, com quem gostaríamos muito de ter compartilhado essa experiência, não puderam estar conosco. Mesmo assim, no dia 02 de agosto, mais de 120 corredores estavam presentes em Bombinhas para a largada do Soloman.
No dia da prova acordei com uma disposição incomum, com uma vontade assombrosa de correr! Não sei se foi por conta de tratar-se de um Soloman e por tudo que ele representa para mim, só sei dizer que foi uma sensação maravilhosa.

Pouco antes da largada dei um bom mergulho no mar para dar aquela última recarregada nas energias e saí pronto para celebrar a vida fazendo aquilo que mais gosto!
 
Nos dirigimos para a largada dos 42km na Praia de 4 Ilhas, passei as últimas instruções para a galera e pontualmente às 8:00, largamos! Cada qual com seu objetivo, o meu era vencer o tempo de 3h43’17” do Daniel Meyer de 2012. Sabia não estar preparado o suficiente para tal, mas tentaria chegar o mais próximo possível deste tempo. Minha postura foi a mesma que sempre tive em todas as provas de que participei, me esforcei o máximo possível, fiz o melhor que pude naquele dia. Até os 21km eu estava me sentindo relativamente bem e passei com 1h55’, mas a partir dali percebi uma queda brusca de rendimento e tive que reduzir bastante o ritmo, fechando os 42km do Soloman em 4h15’45”, um tempo bem ruim se comparado ao meu recorde pessoal neste percurso, mas foi o melhor que consegui fazer naquele belíssimo dia. Me senti satisfeito e realizado por ter explorado uma vez mais os limites de meu corpo através da corrida, independente do tempo obtido.
 
Não preciso de nenhuma recompensa para correr, porque correr, já é minha maior recompensa.
 
 
Mas a verdade é que nesse dia em especial, qualquer que fosse o meu desempenho nestes 42km, significaria muito pouco, perto da alegria que tive em poder receber e cumprimentar cada FINISHER do Soloman Bombinhas. Presenciei muitas chegadas emocionantes, muita superação, algumas lágrimas, diversos sorrisos, várias demonstrações de amizade e companheirismo e uma deliciosa avalanche de abraços emocionados! Tivemos o prazer de presenciar vários corredores debutando, nas distâncias de 42 e 21km, e de ver, pela primeira vez, algumas pessoas de Bombinhas participando de uma corrida de montanha por ser um evento gratuito e com uma proposta esportiva diferenciada.

Além das pessoas de Bombinhas e das cidades vizinhas presentes no Soloman, também houve pessoas que vieram de mais longe para viver essa experiência, houve muita gente que veio do Paraná, Rio Grande do Sul e de São Paulo. Algo que me emocionou demais foi a presença dos amigos Lucas Ferro, Rafa Alves, Diego Brandão, Willian Chede, Pedro Lutti e Celso Kon. Que viajaram de carro a madrugada inteira de São Paulo até Bombinhas para chegar pouco menos de 2 horas antes da largada dos 42km. Todo esse empenho, apenas para correrem com os amigos em uma prova não oficial, sem medalhas, sem pódio, sem colocações, sem chip, sem troféus, sem camisetas promocionais, sem locutor, sem pórtico de largada e chegada... PQP! Não é de fazer chorar até os mais durões? Só isso já teria valido a pena! Mas este foi apenas um, dos incontáveis momentos emocionantes que nos foram proporcionados neste Soloman.


Para mim, todos os fatos citados acima são provas mais do que suficientes de que não precisamos gastar tanto dinheiro para praticarmos o esporte pelo qual somos apaixonados, já que o essencial nas corridas de montanha é, de fato, GRATUITO!

O Soloman Bombinhas proporcionou a todos que dele fizeram parte, felicidade e satisfação abundante a custo zero! E naquele sábado, fizemos todos o caminho de volta a inocência perdida e voltamos a ser crianças, correndo livremente e dando valor para as coisas simples da vida.
Iniciativas esportivas como esta podem ser realizadas por qualquer pessoa, em qualquer lugar e em qualquer formato: ultramaratona, corrida de montanha, triathlon, duathlon, aquathlon, etc. Basta apenas deixarmos de agir como clientes mimados e passarmos a agir como protagonistas de uma nova realidade esportiva.

Eu, já fiz minha escolha! E você?

Obrigado de coração a todos os amigos, corredores e staffs deste Soloman, foi uma belíssima brincadeira. E que venha o SOLOMAN BOMBINHAS 2015!

SOLOMAN BOMBINHAS
porque nossa missão no esporte, não é fazer dinheiro,
é fazer amigos!