LIBERDADE

LIBERDADE
A única coisa a que estou irremediavelmente preso, é a minha paixão pelas corridas. De toda a atmosfera fútil e puramente comercial em que o esporte encontra-se imerso, eu estou livre. Daniel Meyer

domingo, 19 de julho de 2015

FORÇA VEGANA NA MARATONA DE MONTANHA MAIS INSANA DO BRASIL!



“Difícil não é subir e descer montanhas,
difícil, é ter que deixá-las” Daniel Meyer

Neste último sábado (18) tive a imensa felicidade de representar novamente o MOVIMENTO VEGANO na  MARATONA DOS PERDIDOS, com seus deliciosos 2.925m de desnível positivo e 5.807 de desnível total! Considerada a Maratona de Montanha mais casca grossa do Brasil.
Fazia tempo que eu não encarava uma corrida de montanha “de verdade”. Minha última prova de montanha foi o Desafrio Urubici 52km, há três semanas, onde obtive a 6ª colocação geral com 4h15min de prova. O Desafrio é uma prova dura, porém, realizada totalmente em estradas de terra e asfalto, o que faz dela uma prova de montanha rápida e nada técnica, uma realidade bem diferente da Maratona dos Perdidos, que foi idealizada nos moldes das provas europeias de alto nível técnico e acentuado desnível total. Por conta disso decidi aceitar o convite do meu grande amigo e irmão Jhonatan Carvalho para passar uma semana em sua casa em Curitiba e treinar especificamente nas montanhas paranaenses.

Viajei pra Curitiba de bike (269km) no dia 03 de julho, e retornei para casa de ônibus dia 12, há exatos 6 dias da Maratona dos Perdidos. Foi praticamente uma semana inteira de montanha, treinamos no Anhangava, Caminho do Itupava, Pico do Paraná, Ciririca e Morro do Sete. Foram dias fantásticos, caramba! Como eu me sinto bem nas montanhas! Difícil não é subir e desce-las, difícil é ter que deixá-las.

Não sei explicar exatamente o que sinto quando estou na montanha, mas me sinto extremamente à vontade, sinto que ali estou em casa e todas as boas sensações e sentimentos são potencializados. Seja correndo, caminhando, acampando ou apenas comtemplando, hoje eu sei, que é na montanha que desejo estar a maior parte do meu tempo de vida.

Fui com minha família para a Base da prova na tarde de sexta (17), véspera da competição, onde ficamos acampados aguardando o grande dia. Pouco antes da largada, ainda escuro, eu e o Jhony tomamos um bom banho de rio pra dar “aquela” acordada antes de largarmos!

Largamos pontualmente às 7:00, neste ano o start list estava recheado de grandes nomes do Trail Running nacional, muito cara bom mesmo! Meu objetivo era apenas vencer por boa margem o Daniel Meyer da 1ª edição da prova em 2013, todo o resto seria lucro.
A galera saiu queimando, no começo fiquei bem para trás, próximo do km 02 eu estava na 24ª colocação, a partir daí comecei naturalmente a ir passando o pessoal, controlando as colocações é claro, mas concentrado em mim, na minha sensação de esforço. Nada como a experiência (como já errei fazendo a prova dos outros e esquecendo a minha).

No km 10 eu já era o 10º colocado, no km 12 estava em 9º, e aproximadamente no km 17 alcancei a 8ª colocação, posição que mantive até o PA (Ponto de Atendimento) na metade da prova. Cheguei no PA com 2h39’05”, ao chegar cruzei com o Leonardo Meira e outro atleta saindo. Parei muito rapidamente apenas para comer e tomar algo, e parti para a segunda metade da prova que, somada ao desgaste acumulado, diga-se de passagem, é muuuuuuuito, mas muuuuuito mais tenebrosa que a primeira. Portanto, ainda era preciso ter muita calma, pois pior ainda estava por vir.

Mal deixei o PA e logo passei mais um atleta, assumindo assim o 7º posto, pouco depois, digo, pouco acima, rsrsrs, passei por mais um corredor. Estava em 6º, e em seguida encostei no Meira. Dali em diante corremos juntos por um bom tempo. Na descida de uma das trilhas encontramos um atleta vindo no sentido contrário dizendo que não estava mais encontrando as fitas de marcação do percurso, não pensamos muito e continuamos seguindo o caminho que achamos ser o correto, contudo, de fato, não haviam mais marcações de percurso. O Meira estava na frente, já duvidando de que aquele era o caminho correto, e eu vinha atrás tentando convencê-lo de que estávamos certo, até nos depararmos com uma cerca de arame farpado sem nenhum vestígio de marcação, ali paramos, pensamos um pouco, cogitamos retornar, mas nossa intuição nos dizia que devíamos seguir em frente e foi o que fizemos, passamos a cerca e logo passamos a ver novamente as fitas do percurso.

Eu havia estudado muito bem o percurso e fazendo uma rápida análise percebi que aquela trilha havia sido roçada recentemente e de que pareciam haver pegadas frescas em pontos mais enlameados, entretanto, sem as marcações era difícil de ter certeza absoluta de que aquele era o caminho certo, mas felizmente tomamos a decisão correta.
Cheguei no pé do Araçatuba, por volta do km 27 na 4ª colocação, com um outro atleta e o Meira logo atrás. Iniciamos então, a sofrível ascensão até o cume do Araçatuba. Esta ascenção é composta por uma subida bem íngreme longa, seguida por uma curta parte plana com pequenas elevações e uma última subida bem íngreme e mais curta que a primeira. Apesar de eu estar subindo bem o Meira foi encostando gradativamente em mim até me ultrapassar na parte plana. Neste momento minhas pernas estavam extremamente travadas devido a longa subida ininterrupta que acabávamos de enfrentar. O Meira parecia estar um pouco melhor que eu, mesmo assim, fiz todo o esforço possível para acompanhá-lo, ingeri uma dose extra de sal, água e goiabada e segui fazendo um esforço tremendo para acompanha-lo, até que de repente o Meira para, dá uma olhada para o cume do Araçatuba e para a subida que teríamos que enfrentar logo a diante, e diz, “ Meu caneco! Vou dar uma segurada! ”. E começa a caminhar mais lentamente. Não sei se foi a dose extra de goiabada ou o fato de saber que um cara do gabarito dele também estava tão exausto quanto eu, mas naquele instante minhas pernas deram uma “soltada” e comecei a me sentir forte novamente. Na subida para o cume cheguei a abrir boa margem dele e até consegui avistar o 3º colocado.

Cheguei no cume, km 32, em 4º, com 4h36’25”, a somente 6min do 3º colocado, me sentindo cansado, lógico, no entanto, estava com a prova sob controle e conseguindo descer bem. Isso até o km 38 mais ou menos, quando comecei a sentir todo o peso da prova. Segurei a 4ª colocação até o km 40 aproximadamente, quando o Meira passou por mim em uma descida, voando baixo! Tentei ao máximo acompanha-lo, realmente tentei, mas assim que iniciamos uma curta subida senti que não daria para segui-lo, minhas pernas simplesmente não respondiam mais às subidas. Tudo que eu podia fazer era me concentrar e seguir a diante o mais rápido possível.

É engraçado, mas por mais cansado que eu esteja no final de uma corrida de montanha, pouco antes de cruzar a linha de chegada eu já começo a sentir saudade de todos os bons momentos vividos...

Saí da última trilha, faltando 500m para a chegada, feliz demais! E acelerei tanto quanto pude, para fechar a prova em 6h09’02” na 5ª colocação geral, comemorando muito!!! Explodindo em alegria! Alegria por estar novamente fazendo aquilo que mais amo, pelos motivos certos, com simplicidade e mostrando mais uma vez o poder do feijão com arroz, da banana com aveia, mostrando a todos, do meu jeito, o poder da FORÇA VEGANA!!!




Feliz, muito feliz por estar de volta!
Minha mais profunda gratidão a todos que torcem por mim. Pois acreditem, quando eu corro, carrego todos vocês comigo espremidinhos dentro do peito, e quando as coisas começam a ficar difíceis, são vocês que me impulsionam a diante. De coração, obrigado.

Próxima parada se tudo der certo, KTR CAMPOS DO JORDÃO 42km.

Como diria meu amigo Volpão:

“Ninguém conquista a montanha,
a montanha é que conquista a gente”

EQUIPE FORÇA VEGANA
Por uma nova consciência esportiva

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Retornando em paz...



 
Aqueles que me conhecem um pouco e acompanharam minha trajetória no esporte, sabem bem o quanto, ao longo dos anos, vim me decepcionando gradativamente com os rumos que o esporte vem tomando, principalmente no que diz respeito ao triathlon de longa distância (minha especialidade, diga-se de passagem). Não foi por menos que em 2014, por conta de infindáveis conflitos ideológicos com relação ao esporte competitivo, tomei a difícil e doída decisão, de abandonar de vez as competições.
Fiquei exatamente 1 ano e 2 meses sem competir oficialmente, nesse meio tempo teci críticas ferozes ao crescimento cada vez mais comercial e elitizado do Triathlon e das Corridas de Montanha, ajudei a organizar um SOLOMAN totalmente gratuito aqui em Bombinhas e corri sem inscrição as duas corridas de montanha de âmbito nacional realizadas aqui em minha cidade como forma de chamar a atenção para a elitização de um esporte cuja simplicidade é a essência. Tudo isso enquanto a minha paixão pelo triathlon ia se esvaindo. Enfim, do lado de fora, bati de frente com o sistema e assim como critiquei também fui criticado.
Mas então porque diabos, depois de tudo que eu disse, depois de tudo que fiz, agora decidi voltar a fazer parte do ambiente esportivo que tanto critiquei?
Meu retorno ao triathlon não foi devido a uma decisão pensada, mas a um sentimento, pura intuição! Eu não quis voltar, não premeditei nada, apenas naturalmente, voltei. Tentarei explicar melhor.
Não me arrependo de nada do que fiz enquanto estive afastado das competições, pois tudo foi buscando ser coerente com o que EU acreditava, entretanto, hoje entendo que acabei caindo em uma das tantas armadilhas dessa vida. Pois, de tanto pensar, contestar, questionar, ponderar... acabei por passar a ver somente as partes ruins, negativas e obscuras do esporte e de nossa sociedade de modo geral. E assim, fui deixando de enxergar e principalmente sentir, toda a beleza contida na vida.

Em tudo que estava vivendo eu criava tensão demais, tudo era confronto, tudo tinha de ser combatido, tudo estava errado...
Foi quando, afastado das competições por aproximadamente 10 meses olhei para mim e o que vi foi um rebelde triste, um idealista coerente com seus ideais, porém triste, sem nenhuma motivação para viver, sem aquele imprescindível brilho no olho. Eu precisava urgentemente parar de pensar no que era o certo a se fazer e voltar a INTUIR, SENTIR o que devia fazer, sem cair novamente na armadilha do “certo e errado”, do “bem e mal”.

Então, em meados de outubro do ano passado, me mandei! Fui acampar sem data pra voltar. Não foi uma fuga, apenas uma espécie de retiro espiritual onde o único objetivo era esvaziar a mente, não pensar em nada, abandonar qualquer idealismo, ideologia, filosofia, julgamento, conceitos e preconceitos sobre TUDO. Como disse um grande amigo, “simplesmente dar um reset” e começar do zero, deixando que novamente, assim, devagar, sem pressa, todos os meus desejos e vontades mais verdadeiros voltassem a brotar naturalmente das profundezas de meu espírito, livres de qualquer influência.

Fui para à beira do mar, montei acampamento em meio à Natureza numa belíssima enseada encravada entre rochas, a qual batizei carinhosamente de “Enseada da Utopia” e ali morei por quase 3 meses, para ser mais exato, 83 maravilhosos dias, andando a maior parte do tempo nu, cuidando do acampamento, da fogueira, pegando lenha, preparando a comida, tomando muito banho de mar, recolhendo montanhas de lixo do costão, fazendo algumas travessias de caiaque, nadando e correndo quando a vontade surgia e me aventurando vez ou outra pelos costões. Mas acima de tudo, vivi os dias na Enseada da Utopia a contemplar em silêncio as belezas das simples coisas da vida, o sol, a lua, o vento, a chuva, o mar, a água do riacho, a mata, as rochas, o céu, as estrelas... Quanto mais tempo eu ficava por lá mais e mais minha mente ia esvaziando-se e mais em paz comigo mesmo eu me sentia.
Até que um dia, deitado na pedra ainda morna, com a cabeça encostada no colo do meu bem, apreciando os derradeiros raios de sol, com a mente completamente limpa, os olhos entreabertos e os músculos totalmente relaxados, senti uma alegria  intensa aflorar do meu peito e transbordar por todo meu corpo. Ali, naquele momento, senti que eu estava verdadeiramente LIVRE! Livre para dali em diante ser feliz em qualquer situação, em qualquer lugar. Pela primeira vez na vida me vi completamente desapegado de qualquer coisa, inclusive
do esporte, nada mais era uma necessidade, tudo eram POSSIBILIDADES. Agora eu era livre para ser feliz com ou sem o esporte.

Eu estava tão bem integrado à vida absurdamente simples e abundante da Enseada da Utopia que eu havia decidido ficar ali por pelo menos 1 ano inteiro. Não sentia mais nenhuma vontade de voltar, tudo que eu tinha por lá me bastava não sentia mais falta de nada da vida vivida convencionalmente na cidade.
No entanto, alguns dias após ter decidido ficar por lá durante 1 ano, tive o primeiro confronto com o mundo dos homens, o que me forçou a ir embora. Levantei acampamento sem criar nenhuma tensão, numa boa, apenas agradecendo à vida pela bela experiência. Eu sabia que saindo dali eu era livre para ir a qualquer lugar do planeta e escolher fazer o que quisesse.

Fui para casa de minha irmã, onde pretendia ficar apenas alguns dias para me preparar para algumas mochiladas por aí.  Eis que acontece a grande reviravolta! Quando me dei conta eu estava acordando todos os dias às 5:00 da manhã nadando TODOS os dias, correndo 6 e pedalando 5 dias na semana. Foi quando eu disse a minha irmã, “Estou com uma vontade danada de competir”.
Tudo isso foi uma grande surpresa até mesmo para mim, pois há 6 meses se alguém me dissesse que algum dia eu voltaria a treinar triathlon competitivamente, eu não só não acreditaria, como diria, impossível!.

O mais engraçado é que justo quando me senti “libertado” do esporte, foi para ele que regressei. Algo como:
Agora você não precisa mais do triathlon para ser feliz, está livre para fazer qualquer coisa na vida, o que vai ser?

TRIATHLON!
Foi um desejo sincero, puro. Simplesmente senti vontade de voltar a treinar triathlon e foi o que fiz apaixonadamente durante os 4 primeiros meses deste ano. Treinei e competi como nunca antes, em grande forma e principalmente FELIZ. Foi como uma overdose de triathlon!

Agora a vontade passou, meus desejos já são outros novamente... O segundo semestre será principalmente das Corridas de Montanha, das Ultras, das expedições, desafios pessoais, viagens de bike e o que mais brotar deste incógnito coração.
Hoje continuo o mesmo vegano, rebelde idiota, idealista chato de sempre, só que agora, possuo a Felicidade, para sempre acampada em meu peito.
Estou em paz...
Desejo nadar, pedalar e correr tão rápido quanto possível, contudo, meu propósito não é à turma dos mais velozes ingressar. É o bando dos mais felizes e, sobretudo, apaixonados, que anseio representar.
 
FORÇA VEGANA
por uma nova consciência

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

INDOMÁVEL (Indomit)

Aquele que não pode ser domado,
que não pode ser vencido
que não pode ser montado,
tampouco, iludido.

Aquele que reconhece e repudia
o arreio, a sela, e o freio,
até mesmo no aparentemente,
mais carinhoso gesto, do cavaleiro.

Aquele de natureza selvagem e espírito livre,
para quem a liberdade é sagrada
e jamais poderá ser vendida,
jamais poderá ser comprada.

Por fim,
indomável, não é aquele que,
enquanto adestrado, corre para vencer,
ou que, sendo bem direto,
PAGA para correr!

Indomável,
é aquele que corre livre, de graça.
Simples e inspiradamente,
apenas, pelo prazer de correr!

Por anos a fio esta sociedade
tentou de todas as formas
me persuadir, me domar.
E por pouco não me tornei escória.

Mas agora que consegui escapar,
liberto que sou!
Minha fúria, de SER indomável,
terão de aguentar!

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Para quem irá correr a Indomit Vila do Farol 42km amanhã e as palavras acima não significaram nada, desejo sinceramente de coração, que façam uma excelente corrida e tenham um ótimo dia.
 
Porém, se para você que está inscrito(a) nesta prova, por algum motivo o poema acima tiver lhe  causado um certo desconforto, eu lhe convido a entregar seu número de peito e chip à organização do evento e juntar-se a mim amanhã para celebrarmos a LIBERDADE e mostrar que nossas paixões não estão à venda!
 
Pois, assim como fiz na Indomit Costa Esmeralda 100km em maio deste ano, amanhã às 8:00 estarei largando novamente, ao lado da estrutura da Indomit Vila do Farol 42km, sem inscrição e autossuficiente, como forma de mostrar explicitamente meu repudio à forma comercial e elitizada com que o esporte vem sendo tratado.
 
Não desejo fazer inimigos, muito pelo contrário. Entretanto, não posso me calar diante de algo que considero altamente nocivo para o esporte e para uma sociedade verdadeiramente evoluída. Não estarei impedindo ninguém de correr, apenas passando uma mensagem.

Como disse em meu relato sobre o SOLOMAN BOMBINHAS:
 
Enquanto o esporte for tratado como artigo de luxo,
eu serei sempre oposição!


Daniel Meyer

terça-feira, 12 de agosto de 2014

SOLOMAN BOMBINHAS 2014 – Em busca da inocência perdida...

Minha caminhada no esporte se confunde com a marcha de minha vida em busca da liberdade e da inocência que acabamos perdendo à medida que deixamos de ser crianças e nos tornamos adultos. O SOLOMAN BOMBINHAS foi mais um passo nesta direção.


A ideia de realizar um Soloman em Bombinhas partiu de minha profunda insatisfação com a forma puramente comercial e desprovida de valores com que o esporte que tanto amo vem sendo tratado, sobretudo, no quintal de minha casa. Meu descontentamento diante deste mercado fútil em que se tornou o Trail run, triathlon e o esporte como um todo, foi tão grande que me levou a tomar uma das decisões mais difíceis de minha vida, abandonar para sempre as competições esportivas comerciais, algo que eu vinha participando intensa e apaixonadamente por aproximadamente uma década.

Tomada a decisão, era hora de reaprender a correr, sim, sem as competições eu precisaria resgatar das profundezas de minha alma, o prazer de correr somente por correr, apenas para mim, longe dos holofotes, recompensas e de toda a badalação das provas comerciais.

No começo, foi um pouco difícil encontrar motivação para correr sem uma meta clara a ser alcançada, e por vezes senti o peso da solidão. Apesar de quase sempre ter treinado sozinho ao longo de todos estes anos, sempre competi muito e por isso, no máximo a cada duas ou três semanas eu estava fazendo o que mais gostava na companhia de muitos amigos. E isso, agora eu não teria mais.
Não demorou muito para que eu recuperasse aquela alegria de correr de muitos anos atrás, quando eu e meu grande amigo na época decidimos realizar por conta própria nossa primeira maratona, e de quando corri os 92,5km quilômetros de Blumenau a Bombinhas à noite tendo apenas minha querida Liana, a lua e as estrelas como testemunha.

Meu coração, enfim, estava em paz. Entretanto, meu espírito de natureza rebelde ainda permanecia inquieto, e por esse motivo decidi expor tudo o que eu pensava sobre o esporte, correndo os 100km da Indomit Costa Esmeralda sem inscrição e autossuficiente, como forma de dar visibilidade e promover uma discussão sobre um assunto que considero de extrema relevância, o comércio esportivo e suas consequências.
A discussão gerada após estes meus 100km corridos sem inscrição foi tão acalorada e construtiva (a meu ver), que eu e a Liana, após uma longa madrugada em claro, pensamos ser a hora de convocar todos os amigos possíveis e mostrar, de forma explícita, qual o tipo de esporte que desejamos fazer parte e ver crescer.

Foi assim que nasceu o SOLOMAN BOMBINHAS, inspirado na atitude do lendário Marcelo Vallim, que um belo dia, às vésperas do Ironman de Kona no Havaí, largou sozinho e nadou 3,8km, pedalou 180km e correu os 42km da mais famosa prova de triathlon do planeta sem pagar nada e sem prestar contas para ninguém! (Para ler a história completa clique aqui)
Essa era nossa proposta, resgatar a essência e os valores perdidos do esporte, oferecendo às pessoas a oportunidade de se desafiarem em uma corrida de montanha gratuita focada apenas naquilo que consideramos ser o essencial nesse esporte,

o desafio, a natureza e os amigos.

Recebemos algumas criticas por decidirmos realizar o Soloman no percurso idêntico ao do Indomit 42km e apenas duas semanas antes desta prova.

Ora, é óbvio que a escolha da data e a decisão de manter o mesmo percurso da prova comercial foi algo proposital. A ideia era exatamente esta, CONFRONTAR a ideologia capitalista que rege nossa sociedade e encontra-se fortemente presente também no esporte. O objetivo primordial do Soloman Bombinhas era mostrar o ABSURDO de se pagar entre R$ 400 e 500,00 para correr 42km entre amigos em meio à natureza em um percurso inteiramente público! Quando podemos ter o essencial presente nestes eventos esportivos, GRATUITAMENTE! Desde que nos unamos e façamos acontecer.
 
Enquanto o esporte for tratado como artigo de luxo, eu serei sempre oposição.

Para que um Soloman seja realizado, basta apenas um pequeno grupo de pessoas motivadas e engajadas, comprometidas com a essência do esporte, simples assim.

A proposta foi lançada e muitos amigos aderiram a ideia. Em pouco tempo já tínhamos uma lista com mais de 180 participantes somando as três distâncias (42km, 21km e 10km) e 35 amigos compondo o STAFF da prova. Infelizmente, grandes amigos, com quem gostaríamos muito de ter compartilhado essa experiência, não puderam estar conosco. Mesmo assim, no dia 02 de agosto, mais de 120 corredores estavam presentes em Bombinhas para a largada do Soloman.
No dia da prova acordei com uma disposição incomum, com uma vontade assombrosa de correr! Não sei se foi por conta de tratar-se de um Soloman e por tudo que ele representa para mim, só sei dizer que foi uma sensação maravilhosa.

Pouco antes da largada dei um bom mergulho no mar para dar aquela última recarregada nas energias e saí pronto para celebrar a vida fazendo aquilo que mais gosto!
 
Nos dirigimos para a largada dos 42km na Praia de 4 Ilhas, passei as últimas instruções para a galera e pontualmente às 8:00, largamos! Cada qual com seu objetivo, o meu era vencer o tempo de 3h43’17” do Daniel Meyer de 2012. Sabia não estar preparado o suficiente para tal, mas tentaria chegar o mais próximo possível deste tempo. Minha postura foi a mesma que sempre tive em todas as provas de que participei, me esforcei o máximo possível, fiz o melhor que pude naquele dia. Até os 21km eu estava me sentindo relativamente bem e passei com 1h55’, mas a partir dali percebi uma queda brusca de rendimento e tive que reduzir bastante o ritmo, fechando os 42km do Soloman em 4h15’45”, um tempo bem ruim se comparado ao meu recorde pessoal neste percurso, mas foi o melhor que consegui fazer naquele belíssimo dia. Me senti satisfeito e realizado por ter explorado uma vez mais os limites de meu corpo através da corrida, independente do tempo obtido.
 
Não preciso de nenhuma recompensa para correr, porque correr, já é minha maior recompensa.
 
 
Mas a verdade é que nesse dia em especial, qualquer que fosse o meu desempenho nestes 42km, significaria muito pouco, perto da alegria que tive em poder receber e cumprimentar cada FINISHER do Soloman Bombinhas. Presenciei muitas chegadas emocionantes, muita superação, algumas lágrimas, diversos sorrisos, várias demonstrações de amizade e companheirismo e uma deliciosa avalanche de abraços emocionados! Tivemos o prazer de presenciar vários corredores debutando, nas distâncias de 42 e 21km, e de ver, pela primeira vez, algumas pessoas de Bombinhas participando de uma corrida de montanha por ser um evento gratuito e com uma proposta esportiva diferenciada.

Além das pessoas de Bombinhas e das cidades vizinhas presentes no Soloman, também houve pessoas que vieram de mais longe para viver essa experiência, houve muita gente que veio do Paraná, Rio Grande do Sul e de São Paulo. Algo que me emocionou demais foi a presença dos amigos Lucas Ferro, Rafa Alves, Diego Brandão, Willian Chede, Pedro Lutti e Celso Kon. Que viajaram de carro a madrugada inteira de São Paulo até Bombinhas para chegar pouco menos de 2 horas antes da largada dos 42km. Todo esse empenho, apenas para correrem com os amigos em uma prova não oficial, sem medalhas, sem pódio, sem colocações, sem chip, sem troféus, sem camisetas promocionais, sem locutor, sem pórtico de largada e chegada... PQP! Não é de fazer chorar até os mais durões? Só isso já teria valido a pena! Mas este foi apenas um, dos incontáveis momentos emocionantes que nos foram proporcionados neste Soloman.


Para mim, todos os fatos citados acima são provas mais do que suficientes de que não precisamos gastar tanto dinheiro para praticarmos o esporte pelo qual somos apaixonados, já que o essencial nas corridas de montanha é, de fato, GRATUITO!

O Soloman Bombinhas proporcionou a todos que dele fizeram parte, felicidade e satisfação abundante a custo zero! E naquele sábado, fizemos todos o caminho de volta a inocência perdida e voltamos a ser crianças, correndo livremente e dando valor para as coisas simples da vida.
Iniciativas esportivas como esta podem ser realizadas por qualquer pessoa, em qualquer lugar e em qualquer formato: ultramaratona, corrida de montanha, triathlon, duathlon, aquathlon, etc. Basta apenas deixarmos de agir como clientes mimados e passarmos a agir como protagonistas de uma nova realidade esportiva.

Eu, já fiz minha escolha! E você?

Obrigado de coração a todos os amigos, corredores e staffs deste Soloman, foi uma belíssima brincadeira. E que venha o SOLOMAN BOMBINHAS 2015!

SOLOMAN BOMBINHAS
porque nossa missão no esporte, não é fazer dinheiro,
é fazer amigos!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Treino nos primeiros 21km do Soloman Bombinhas

No último sábado corri os primeiros 21km do Soloman Bombinhas para que todos possam ter alguma referência do que enfrentarão no dia 02/08. Foi a primeira vez que corri exatamente este trecho com largada na Praia de 4 Ilhas e término na Praia de Zimbros. Não estou no auge da minha forma física (longe disso! rsrsrs), mas também não estou tão mal e diria que tive um bom desempenho neste treino, estava me sentindo bem, apesar de um ligeiro cansaço do dia anterior.

Corri ao todo 29km neste dia mais alguns extras, sendo:

6km MTB (locomoção)
2km aquecimento
4x100m acelerações
21km Forte (Trecho inicial do Soloman)
6km leve
2,5km caminhando

Link com todas as parciais deste treino: PARCIAIS DOS 21KM DO SOLOMAN BOMBINHAS

Fechei os 21km em 1h58'47" bem cansado! Caminhei apenas na subida da trilha para o Retiro dos Padres, logo depois do trecho de costão, onde simplesmente não compensa correr! Os primeiros 21km do Soloman são bem mais pesados do que os 21km finais, por isso é muito importante que todos tenham muita cautela neste trecho!

É isso aí galera, está chegando o dia, estejam preparados! No próximo final de semana eu correrei o segundo trecho e dou um feedback pra vocês.

Abração!

SOLOMAN BOMBINHAS
porque eu corro onde e quando eu quiser

FORÇA VEGANA
por uma nova consciência esportiva

sexta-feira, 20 de junho de 2014

DOMÍNIO PÚBLICO

DOCUMENTÁRIO MAIS DO QUE RECOMENDADO!!!

Por favor, faça um favor a você mesmo, DESLIGA ESSA TELEVISÃO! Faça um esforço e procure enxergar o mundo como ele é, além das novelas, dos telejornais e das propagandas.

Deixe de ser um escravo da mídia, do estado e sobretudo, das grandes corporações. REBELE-SE!

Ahhh! Mas você gosta de futebol? Então reúna os amigos e jogue, VIVA verdadeiramente o futebol, que o resto é mentira, é sombra de um esporte, que hoje não passa de business, um mero negócio criado para alguns poucos ganharem avalanches de dinheiro através das paixões humanas. Um negócio criado para manter o povo entorpecido, desacordado para as reais mazelas deste mundo.

E antes que eu me esqueça, FODA-SE A COPA!!!!!!!!!!!!!!!


 - Assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=dKVjbopUTRs

- Assistir no Vimeo:

http://vimeo.com/98238853

Assista, Copie, Baixe, Compartilhe, Discuta, Comente, Debata, mas não permaneça indiferente...

sábado, 31 de maio de 2014

DO POUCO QUE GANHEI

Apenas mais um poema lançado ao vento...

DO POUCO QUE GANHEI

Quanto aos poemas e canções,
saibam que acreditei,
acreditei no que diziam
as canções e os poemas.

Mesmo quando...
cruelmente me disseram
que eram “só” poemas,
que eram “só” canções.

Eu acreditei, levei a sério,
Desci até as profundezas
da toca do coelho.

O que ganhei com isso?
Uma verdadeira avalanche
de desilusões,
diversos nocautes...

E alguns importantes laços
de amizade perdida
talvez, para sempre.

Amizades, desintegradas
ainda na elaboração do salto
E que, durante o salto
eu já não as reconhecia mais.

Se valeu à pena?
E como valeu!
Apesar de todas as tormentas,
todos os naufrágios
e os mortos acumulados
no caminho,

Valeu... valeu acreditar
no que diziam os poemas
e no que diziam as canções.

Não fiquei mais rico
fama e prestígio também não ganhei
Hoje não tenho diplomas
não sou PhD,
também não sou rei!

É, não posso negar,
o que ganhei não foi muito, admito,
mas era exatamente este POUCO
que eu desejava encontrar!

Este pouco, que só anda descalço
que não usa gravata a lhe enforcar,
que não tem limites;
e que anda assim, LEVIANAMENTE,
só por andar.

Daniel Meyer